segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Voto Eletrônico: Hacker revela no Rio como fraudou eleição




Texto escrito por Apio Gomes


Um novo caminho para fraudar as eleições informatizadas brasileiras foi apresentado ontem (10/12) para as mais de 100 pessoas que lotaram durante três horas e meia o auditório da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ), na Rua do Russel n° 1, no decorrer do seminário “A urna eletrônica é confiável?”, promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualini.


Acompanhado por um especialista em transmissão de dados, Reinaldo Mendonça, e de um delegado de polícia, Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como — através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi – interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros – sem nada ser oficialmente detectado.

“A gente entra na rede da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos. Modificamos resultados  mesmo quando a totalização está prestes a ser fechada”, explicou Rangel, ao detalhar em linhas gerais como atuava para fraudar resultados.

O depoimento do hacker – disposto a colaborar com as autoridades –  foi chocante até para os palestrantes convidados para o seminário, como a Dra. Maria Aparecida Cortiz, advogada que há dez anos representa o PDT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assuntos relacionados à urna eletrônica; o professor da Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Pedro Antônio Dourado de Rezende, que estuda as fragilidades do voto eletrônico no Brasil, também há mais de dez anos; e o jornalista Osvaldo Maneschy, coordenador e organizador do livro Burla Eletrônica, escrito em 2002 ao término do primeiro seminário independente sobre o sistema eletrônico de votação em uso no país desde 1996.

Rangel, que está vivendo sob proteção policial e já prestou depoimento na Polícia Federal, declarou aos presentes que não atuava sozinho: fazia parte de pequeno grupo que – através de acessos privilegiados à rede de dados da Oi – alterava votações antes que elas fossem oficialmente computadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A fraude, acrescentou, era feita em benefício de políticos com base eleitoral na Região dos Lagos – sendo um dos beneficiários diretos dela, ele o citou explicitamente, o atual presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Paulo Melo (PMDB). A deputada Clarissa Garotinho, que  também fazia parte da mesa, depois de dirigir algumas perguntas a Rangel  - afirmou que se informará mais sobre o assunto e não pretende deixar a denúncia de Rangel cair no vazio.

Fernando Peregrino, coordenador do seminário, por sua vez, cobrou providências:
“Um crime grave foi cometido nas eleições municipais deste ano, Rangel o está denunciando com todas as letras –  mas infelizmente até agora a Polícia Federal não tem dado a este caso a importância que ele merece porque  ele atinge a essência da própria democracia no Brasil, o voto dos brasileiros” – argumentou Peregrino.

Por ordem de apresentação, falaram no seminário o presidente da FLB-AP, que fez um histórico do voto no Brasil desde a República Velha até os dias de hoje, passando pela tentativa de fraudar a eleição de Brizola no Rio de Janeiro em 1982 e a informatização total do processo, a partir do recadastramento eleitoral de 1986.

A Dra. Maria Aparecida Cortiz, por sua vez, relatou as dificuldades para fiscalizar o processo eleitoral por conta das barreiras criadas pela própria Justiça Eleitoral; citando, em seguida, casos concretos de fraudes ocorridas em diversas partes do país – todos abafados pela Justiça Eleitoral. Detalhou fatos ocorridos em Londrina (PR), em Guadalupe (PI), na Bahia e no Maranhão, entre outros.

Já o professor Pedro Rezende, especialista em Ciência da Computação, professor de criptografia da Universidade de Brasília (UnB), mostrou o trabalho permanente do TSE em “blindar” as urnas em uso no país, que na opinião deles são 100% seguras. Para Rezende, porém, elas são “ultrapassadas e inseguras”. Ele as comparou com sistemas de outros países, mais confiáveis,  especialmente as urnas eletrônicas de terceira geração usadas em algumas províncias argentinas, que além de imprimirem o voto, ainda registram digitalmente o mesmo voto em um chip embutido na cédula, criando uma dupla segurança.

Encerrando a parte acadêmica do seminário, falou o professor Luiz Felipe, da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que em 1992, no segundo Governo Brizola, implantou a Internet no Rio de Janeiro junto com o próprio Fernando Peregrino, que, na época, presidia a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Luis Felipe reforçou a idéia de que é necessário aperfeiçoar o sistema eleitoral brasileiro – hoje inseguro, na sua opinião.

O relato de Rangel – precedido pela exposição do especialista em redes de dados, Reinaldo, que mostrou como ocorre a fraude dentro da intranet, que a Justiça Eleitoral garante ser segura e inexpugnável – foi o ponto alto do seminário.
Peregrino informou que o seminário  será transformado em livro e tema de um documentário que com certeza dará origem a outros encontros sobre o mesmo assunto – ano que vem. Disse ainda estar disposto a levar a denuncia de Rangel as últimas conseqüências e já se considerava um militante pela transparência das eleições brasileiras: “Estamos aqui comprometidos com a trasnparência do sistema eletrônico de votação e com a democracia no Brasil”, concluiu.


Fonte: Portal Partido Democrático Trabalhista (PDT)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

“FORA BURITI!”


Diferente da banda reacionária da Diocese de Santarém, alguns jovens ligados à Pastoral da Juventude manifestaram-se contra a presença da empresa Buriti nesta cidade.

No evento denominado Romaria da Juventude, realizado no dia 08/12 (dia de Nossa Senhora da Conceição), empunharam faixa pelas ruas de Santarém com a seguinte frase: “Mãe Imaculada, a juventude defende a vida no Juá e Amazônia. Fora Buriti!

sábado, 8 de dezembro de 2012

O quebra-cabeça na fala da elite e os investimentos em portos


Se lembrarmos dos fatos e falas pretéritas das elites e sincornizarmos com o que eles vomitam atualmente, constataremos um quebra-cabeça de suas tramoias. Pois, vejamos:

"Queremos uma explosão de investimentos no que se refere à expansão e melhoria dos portos, com a parceria com setor privado" (Dilma Rousseff, 06/12, sobre o Programa de Investimento em Logística: Portos – Medida Provisória n.º 595, de 06/12/2012).

A exploração indireta das atividades portuárias se dará meditante concessão e arrendamento (art. 1º, §1º). Em Santarém (PA) isso já acontece. A Cargill já se instalou, com as bênçãos da Companhia Docas do Pará (CDP) e da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (SEMA), mas planeja, desde sua concepção a ampliação de seu porto privativo de escoamento da soja.

“Outros R$ 2,6 bilhões serão investidos em acessos hidroviários, ferroviários e rodoviários e em pátios de regularização de tráfego nos 18 principais portos públicos brasileiros. O Ministério dos Transportes entrará com R$ 1 bilhão e o restante será executado por Estados e iniciativa privada”. (Agência Pará de Notícias, 06/12).

A rodovia BR-163 já está sendo concluída; a ferrovia (Cuiabá-Santarém) já está a caminho, e o grupo interressado é o China Railway Engineering Corporation (CREC); quanto às hidrovias, é bem certo que sejam feitas eclusas anexas ao monte de hidrelétricas que, infelizmente, serão construídas.
O movimento APROSOJA entra nesse pacote: é um grupo de empresários ligados à soja que se mobilizam para melhorar a logística de transporte da soja.


Toda essa mobilização em benefício desse grão, comprovado nas palavras de Helenilson Pontes:
“O porto de Santarém, segundo Pontes, após a conclusão da Rodovia Santarém-Cuiabá, vai receber a produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro”. (Agência Pará de Notícias, 06/12).
“Só o porto de Itaituba, que nem está no programa anunciado hoje, tem dez grandes empresas interessadas” (Helenilson Pontes, 06/12).

Ao que tudo indica, uma dessas empresas é a Cargill que articula a construção de outros porto na cidade de Miritituba (frente de Itaituba). Em Santarém, Eraí Maggi, do Grupo Bom Futuro, já sinalizou, outrora, o interesse de construir outro porto nesta cidade.

“Que venham os investidores, pois o Pará tem infraestrutura e, principalmente, governo. Um governo interessado em atrair cada vez mais investimentos, que serão aplicados no bem-estar de nossa população”. (Helenilson Pontes, 06/12)

Por fim, a elite dominadora se apresenta como boa gestora, interessada no bem da população. Todas as atitudes desses governos medíocres nunca foram, segundo os mesmos, para o malefício do povo. São anjos no poder... Mentem! Pois, seus interesses estão compactuados com a elite econômica.
Os citados investimentos nunca foram para benefício ou bem-estar da população, contudo, para a transferência do dinheiro público para as empresas privadas.
Esse quebra-cabeça é a prova de que seus interesses fazem parte da engrenagem do sistema capitalista.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

APROSOJA em Santarém, por quê?

Em vários momentos de discussão sobre temas como "hidrelétrica", "soja" ou sobre a própria Cargill, um certo guru alertava os curupiras a indícios de que as decisões sobre o corredor da soja do Mato Grosso por Santarém eram discutidas por um grupo chamado APROSOJA

As hidrelétricas seriam apenas o começo desse processo de infraestrutura pro agronegócio e a APROSOJA teria o objetivo de tratar sobre a logística para a soja. Alertas à parte, o fato é que a empresa tem feito várias visitas à Santarém, sendo a última no final de novembro deste ano. Muito provavelmente apenas poucos grupos, certamente coniventes, devem ter conhecimento do que se tratam as visitas por estas terras.

Recebemos duas fotografias tiradas dos adesivos dos carros dos associados da APROSOJA quando encontravam-se parados para uma bela refeição em uma das peixarias de nossa cidade:




















Outro fato é que, com experiência própria, já sabemos os efeitos da soja na nossa região. Fica novamente o alerta para o processo de destruição pelo qual estamos passando. Se os "alertas" continuarem a se concretizar, estaremos assistindo à destruição da natureza e do modo de vida local em favor de um modelo desenvolvimentista e capitalista.

SEMA e Empresas mineradoras: cooperação duvidosa



Foi publicado hoje, 06/12/2012, no Diário Oficial do Estado do Pará, caderno 4, pág. 5, um Acordo de Cooperação Técnica (N.º do Termo: 003/2012-SEMA/PA), entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e o Sindicato das Empresas de Mineração do Estado do Pará (SIMINERAL).

O objeto, segundo o Termo, é “proporcionar condições para o incremento e fortalecimento do setor ambiental, mediante a formação de parceria entre os representantes da iniciativa privada e o Poder Público para a realização de investimentos e ações que auxiliem no desenvolvimento da gestão ambiental realizada pela SEMA ”. O valor (custo) é inexistente e a vigência é de um ano.

A dúvida está estampada no objeto do Termo: Que tipo de incremento e fortalecimento do setor ambiental será realizado? Qual a formatação da parceria entre as duas partes? Quais ações serão realizadas? O que a SEMA entende por “desenvolvimento da gestão ambiental”? E, principalmente, qual o retorno que a SIMINERAL terá?

Esse é o modus operandi do governo Jatene: cooperar com a iniciativa privada, sempre de modo duvidoso, em vez de se dedicar ao seu papel fiscalizador. O sistema neoliberal capitalista é isso: o Estado à serviço do dono do capital.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Círio 2012 e a Buriti


Pela prisão da Buriti, rezemos ao Senhor!

No Círio da padroeira dos santarenos, edição 2012, a trupe de Antônio Rocha e cia. não ficou a sós em seu “automarketing”. Mais uma nova-velha empresa tirou vantagem do Círio: a Buriti.

Preocupada com o calor que passam os peregrinos em Santarém, distribuiu viseiras e ventarolas (foto) como forma de mitigar o desmatamento na área do Juá, às margens da Av. Fernando Guilhon (risos).


Os desatentos e alienados da destruição que essa empresa está causando em Santarém caminhavam com fé, rumo à Igreja Matriz. Seus corpos eram outdoors-vivos, espalhando a imagem “boazinha” da empresa. E eram vários pontos amarelos espalhados no mar da procissão...

Será que a Diocese de Santarém está de braços dados com a Buriti, “realizando seu sonho”? A sua logomarca será estampada no manto da imagem de Nossa Senhora da Conceição? Será que a igreja, mais uma vez, assistirá passivamente à autopromoção de empresas nocivas à sociedade?  

Oremos: Nossa Senhora, interceda pelos Padres e Coordenação da sua Festa, para que eles, mais uma vez, não vendam sua imagem às empresas que destroem o meio ambiente e servem ao capitalismo, como venderam em 2010 à Cargill. Rezemos ao Senhor!... Ah! Senhora, e se eles venderem, que eles pereçam no fogo eterno do inferno! (Senhor, atendei a nossa prece).

sábado, 1 de dezembro de 2012

Parquinho da Cargill pega fogo‏


No dia 25/11 (domingo) o dito Parque Vera Paz construído nas sobras
da área destruída pela Cargill pegou fogo


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Empresa responsável pela usina Belo Monte faz congresso para juízes

O circo está montado e o espetáculo vai custar caro.
O 21o. congresso de magistrados, que é organizado pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), contará com 16 patrocinadores. Entre eles, a empresa Norte Energia.
A Norte Energia, responsável pela futura e drástica operação de Belo Monte, é composta por empresas públicas, como a Eletrobras, e privadas, como a Vale.
Além da Norte Energia, houve apoio de bancos, empresas da área de energia e confederações patronais. 

Investimento?

A Norte Energia, que prontamente encarregou-se de montar um estande no evento, com distribuição de material sobre Belo Monte e um computador à disposição para consulta com fotos, mapa e outras informações sobre a obra, afirma que o patrocínio a eventos é 'uma prática da empresa, uma vez que entende a importância de integrar fóruns que contribuam para o debate sobre Belo Monte'.

Um debate pautado no modelo desenvolvimentista, com uma série de irregularidades, visto que a empresa responde a, pelo menos, 15 ações movidas pelo Ministério Público Federal e pela Defensoria Pública e com o seu final já amarrado.

O presidente da AMB, Nelson Calandra, afirma que não há conflito ético no apoio das empresas:
"Isso não compromete a imparcialidade. As empresas não patrocinaram porque querem ser beneficiadas. É um espaço publicitário e elas resolvem colaborar para ganhar exposição de mídia", diz o presidente da AMB.

Diante de tanta corrupção, irregularidades e falcatruas, será que esse discurso é realmente coerente? Ou esse patrocínio, de fato, mostra a verdadeira lógica da maneira pela qual os grandes empreendimentos são empurrados para a nossa região?

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) não tem uma norma sobre a participação de magistrados em eventos patrocinados por empresas, mesmo que elas sejam alvos de processos que possam ser de responsabilidade desses juízes. A ex-corregedora do conselho, Eliana Calmon, iniciou um debate sobre o tema, mas enfrentou a resistência de entidades representativas dos magistrados. E assim caminha Belo Monte...


Fonte: Folha de S. Paulo

O “Exército de Reserva” e Belo Monte


Foi na fase do capitalismo industrial na qual Karl Marx identificou que a economia capitalista necessita para sua manutenção de um “exército de reserva industrial”, uma reserva de trabalhadores pobres que serão usadas ao bel-prazer do dono do capital, na medida em que tenham que ser substituídos.
Podemos indicar alguns dos motivos pelos quais os trabalhadores são substituídos: quando não mais satisfazem os critérios impostos pela estrutura da indústria/empresa; quando não conseguem, fisicamente, exercer seu labor; quando apresentam divergências ideológicas às do patrão ou quando reclamam seus direitos trabalhistas, tornando-se funcionários abomináveis às intenções lucrativas do empresário.
E a construção da Usina de Belo Monte é emblemática para relacionar às observações de Marx.

As últimas reivindicações dos trabalhadores fizeram com que muitos se desligassem do quadro funcional. Alguns foram espontâneos, por não suportar mais os desrespeitos; outros compulsoriamente, por tornarem-se empecilhos à construção.
A princípio a empresa perderia com essas saídas, mas a desigualdade entre classes sociais é primordial para a manutenção do próprio capitalismo. A pobreza gerada, também, a partir do desemprego impulsiona que a fila do exército de reserva ande. E sempre haverá, neste sistema, a pobreza para que, assim, trabalhadores submetam-se a trabalhos humilhantes, como Belo Monte. São essas forças de trabalho que estarão concretizando os impactos ambientais gerados para sua geração e para as futuras.


Trabalhadores esperando transporte para Belo Monte

É o que representa a imagem (foto): trabalhadores que foram selecionados por uma empresa em Santarém à serviço do Consórcio Belo Monte, partindo da mesma cidade.
E o que os espera por lá? Obviamente, será o que ocorreu e ainda ocorrem em todas as construções de hidrelétricas: no mínimo, os desrespeitos pelos direitos trabalhistas; pressão psicológica; repreensão e um mínimo salário.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Estado para quê e para quem?


Texto publicado no jornal A Poronga - Informativo das Pastorais Sociais - Diocese de Santarém - Santarém, Pará. Edição: no. 05 - novembro de 2012. 



por Gilson Rego
CPT Stm



Este ano tivemos mais uma vez eleições municipais. O Estado nos obriga a votar e escolher pessoas que, supostamente, nos representarão dentro da estrutura burocrática do Estado. Em seus discursos, os candidatos juram atuarem em favor do povo. Acaba que muitos destes supostos representantes são pegos nos esquemas de corrupção mais escabrosos. Outros tentam justificar suas infrutíferas tentativas de ação em favor do seu eleitor pelas limitações dentro das estruturas do Estado. O resultado disto tem sido o total descaso com aqueles que sofrem nas filas de hospitais, desempregados, marginalizados, pobres e etc. O povo acaba se virando sozinho diante de tanta injustiça e desrespeito, enquanto que privilégios e abusos são noticiados diariamente dentro da estrutura do Estado. 

Esta realidade nos exige fazermos uma reflexão mais profunda sobre o papel do Estado, já que o poder público se materializa no Estado e, portanto, é a partir deste que são tomadas as decisões para resolverem os problemas sociais. 

Mas como resolver os problemas sociais se o Estado é um instrumento de classe? Muito embora o Estado seja apresentado pelo Sistema e seus pensadores como um instrumento de conciliação de classes, as suas decisões sempre se dirigem ao atendimento da classe que o controla, que é a classe dominante. O Estado surgiu como necessidade de se ter uma instituição para legitimar praticas de expropriação e garantir a apropriação privada da riqueza. Logo, os detentores das riquezas são aqueles que exigem do Estado a defesa de suas propriedades. Assim, temos a classe daqueles que detêm a riqueza e a classe dos despossuídos. Para garantir a propriedade, o Estado se posiciona ao lado da classe dominante, ou seja, dos possuidores da riqueza. 

Ao se posicionar ao lado da classe dominante, o Estado aumenta a desigualdade entre as classes. Para isto, é necessário legitimar as ações do Estado, pois é fundamental que toda a classe explorada passe a aceitar determinações impostas, e que esta imposição seja entendida como justas e que ainda possam parecer válidas para todos. Neste sentido, a dominação de uma classe sobre a outra se dá através das leis. 

As leis tornam-se os mecanismos pelos quais a classe dominante legitima suas ações contra a classe dominada. O Estado apresenta as leis como se elas fossem de interesse geral, mas na verdade, elas são a forma pelo qual o interesse da parte mais poderosa economicamente da sociedade (os proprietários) garante o processo de dominação sem a revolta da classe dominada. É por isto, que se algum grupo social se manifesta contra as injustiças praticadas pela classe dominante, o Estado se prontifica em aplicar as leis em nome da propriedade e aniquila qualquer tipo de manifestação. 

Podemos observar estas ações se verificarmos de modo nítido nas práticas do Estado neste atual momento de ocupação e colonização da Amazônia sob a onda impulsionadora do agronegócio, em dois níveis: na pessoa jurídico-política do Estado do Pará, e na pessoa jurídico-política do Estado brasileiro. Aliás, isso nada mais é do que a reprodução, em escala nacional, do que fazem os governos estaduais e a União, dentro da lógica do sistema capitalista, regulador das políticas públicas nos países burgueses, no sentido de garantir os direitos do empresariado contra os direitos de todo o povo, o que, no caso rural brasileiro, significa fazer valer os interesses do empresariado rural – os donos do agronegócio – contra as populações nativas que, em caráter imemorial, ocupam os espaços do agro, algumas delas, aliás, descendentes diretas do dono original da terra – o índio. 

Portanto, todos os conflitos relatados por moradores das nossas comunidades locais é o reflexo dessa atuação do Estado em favor do agronegócio. Mineração, hidrelétricas, soja são responsáveis pela destruição do bioma amazônico e pela violência cometida contra o povo da floresta, mas de que lado o Estado sempre se posiciona? 

Assim, entender o Estado significa entender os problemas sociais pelos quais vivemos. A CNBB tem apresentado alguns eixos de discussões na Semana Social, que estão ligados às realidades sociais em que nosso país se encontra, e desta vez, traz na sua 5ª Semana Social Brasileira uma reflexão sobre o Estado, com o tema: "Um novo Estado, Caminho para uma Nova Sociedade do Bem Viver – Estado para que e para quem?". Seria de grande importância se Dioceses, Prelazias e Paróquias mergulhassem nessa discussão de forma profunda, que pudesse permitir enxergarmos a realidade escondida pelos interesses da classe dominante e sua atuação dentro das estruturas burocráticas do Estado. Pois, somente com mudanças nas estruturas do Estado Brasileiro será possível alcançarmos uma sociedade do bem viver.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cargill e os Agrotóxicos Que Provocam Câncer


Os agrotóxicos, pesticidas e outros venenos usados nas plantações de soja permanecem nos grãos e, quando transportados, são jogados no ar e aspirados pelas pessoas, causando inúmeras doenças, que podem ir desde irritação nos olhos ao câncer.

Há muitos indícios desse tipo de problema, que já pode ser visto em cidades da Argentina que estão perto de regiões de portos que trabalham com a soja. São constatados casos de má formação de bebês, abortos, alergias, câncer e outras doenças*.

Recentemente, os comunitários de Boa Esperança relataram uma série de problemas referentes à saúde das pessoas que estão próximas ao uso indiscriminado de agrotóxicos, que incluem problemas graves de ressecamento de pele e mucosas até o alto índice de câncer.

Você já percebeu que quando a Cargill está embarcando a soja nos navios é visível uma “poeira” que entra em contato direto com a água e o ar? Pois esta poeira carregaria todos os tipos de venenos que podem vir a causar essas doenças.

Agora, a Cargill quer usar o campo da Vera Paz para fazer um estacionamento de caminhões que transportam a soja. Com isso, perguntamos: e o risco dessas doenças para as pessoas que moram em bairros próximos à Cargill?
Pense nisto.


*Fonte: Grupo de Reflexion Rural – www.grr.org.ar

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Destruição da área do Juá pela empresa Buruti

A História se repete e, mais uma vez, vemos a destruição de nossas terras protagonizada por mais uma empresa que, de ecológico, só tem o nome. A empresa Buruti desmatou a área em frente ao projeto "Minha Casa, Minha Dívida" - área essa que vai da Fernando Guilhon até o Juá. Trata-se de um triste atentado à biodiversidade através de um crime que foi legalizado.

A contradição, que mais parece praga: de um lado da Fernando Guilhon, as casas dos pobres, que, dentre outras consequências, sofrerão com o calor desse desmatamento; do outro lado, próximo ao rio, às praias, as casas dos ricos ou dos que podem pagar mais caro para ter uma vida digna.


Dois pesos, duas medidas: a ocupação daquela área feita individualmente por moradores resultou na expulsão dessas pessoas do local, feita pela polícia. Em contrapartida, ao condomínio Buruti, que se fez de um crime ambiental para construir seu grande empreendimento, cabe sua devida licença.

O condomínio Buruti representa, muito mais do que o tão aclamado "desenvolvimento para a região", a forma de como se dão os projetos desenvolvimentistas, que sempre se caracterizam pela dupla face da destruição e dos interesse dos mais ricos. A ex-prefeita, Maria do Carmo (PT) fechou seu mandato deixando esse "presente" para o futuro, que, com certeza, não será esquecido.

Seminário: "AMAZÔNIA: de quem é este território?"

Local: Auditório do Colégio São Raimundo Nonato
Data: 26 e 27 de novembro
Programação:

Dia 26/11/2012 – Segunda-feira
:

09 horas – Abertura e apresentações;
09.30 horas – “Quem ocupa a Amazônia?” – Prof. Alfredo Wagner
11 horas – Questionamentos
12 horas – Almoço (servido no local)
14 horas – Mesa com representantes dos grupos sociais: Quilombolas, indígenas, Pescadores, Assentados, extrativistas, atingidos por barragens...
16 horas – Lanche
16.30 horas – Discussão e perguntas
17.30 horas – Encerramento

Dia 27/11/2012 – Terça-feira:
09 horas – “Perspectivas da luta pelo reconhecimento dos Territórios na Amazônia” – Alfredo Wagner
10.30 horas – Lanche
11 horas – Encaminhamentos: Agenda de compromissos para 2013
13 horas – Encerramento

Comunidade denuncia aumento de incidência de doenças relacionadas ao uso de Agrotóxicos em Santarém

Os números oficiais de casos de câncer na Comunidade Boa Esperança tem preocupado os comunitários, que procuraram o Conselho Municipal de Saúde.
Os moradores relataram várias questões, como o uso indiscriminado de agrotóxicos nas grandes produções de monocultivo de soja, bem como a proximidade do linhão de energia e o escoamento de tucupi no solo.

Foi relatado também que, por conta do agrotóxico, as crianças que moram próximo às plantações de soja tem um ressecamento muito estranho na pele, danos sérios nas mucosas (nos olhos, em especial), além de problemas respiratórios.
O problema de saúde pública só tende a piorar, pois esse agrotóxico penetra na pele e nos órgãos internos através da respiração e do consumo de alimentos contaminados.
Para um especialista do renomado Hospital Regional, "não há por que se preocupar, pois os casos de câncer que ele avaliou não tem a ver com o agrotóxico".

O que realmente deve ser avaliado são as condições de saúde em que a população da comunidade se encontra, bem como a investigação das denúncias feitas por quem reside na região, que, inclusive, incluem sojeiros que jogam em qualquer lugar as embalagens dos agrotóxicos que utilizam.

Em reunião, foi encaminhado um encontro que será realizado para falar sobre as doenças que estarão provavelmente relacionadas com o agrotóxico na comunidade de Boa Esperança, no dia 14 de dezembro, no salão comunitário ao lado da Igreja do Bom Pastor, às 8h30.

DEU NO "UEA TIMES"

Em tempo, foi publicado o nome da Frente em Defesa da Amazônia (FDA) no Vestibular da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), edição 2010.

Hidrelétricas na Amazônia – “Nós, do Pará, não precisamos de mais hidrelétricas”.
“O governo vende a falácia da energia limpa como se só tivéssemos duas alternativas: ou a energia suja do petróleo ou a energia limpa dos rios. E como a Amazônia é riquíssima em rios, eles estão aproveitando. São mais de 58 projetos de hidrelétricas na Amazônia. Cada barragem incide numa inundação imensa rio acima, provocando um distúrbio na bacia do rio abaixo, além da expulsão dos ribeirinhos”, disse Padre Edilberto Sena, coordenador da Rádio Rural AM de Santarém, Pará, e membro da Frente em Defesa da Amazônia (FDA).

(www.portalamazonia-teste.tempsite.ws. Adaptado.)
De acordo com o texto, a construção de um grande lago artificial implica, na região,
(A)     o aumento da biodiversidade de peixes, visto que o lago formado propicia a inauguração de diferentes nichos ecológicos, que podem ser explorados por diferentes
espécies.
(B)     a retirada da totalidade dos seres vivos, antes da formação do lago, que serão transferidos para áreas semelhantes, mitigando os impactos causados pela alteração
do ambiente.
(C)     a redução do efeito estufa, devido ao crescimento de algas, melhorando muito a qualidade e oxigenação da água de lagos recém-formados
(D)     a inundação de áreas parcialmente desmatadas, ocasionando a decomposição da floresta submersa, que emite gases prejudiciais à atmosfera, como o metano, agra-
vando o efeito estufa.
(E)     a melhor distribuição de renda que um empreendimento desse porte proporciona para a população ribeirinha, devido ao grande e equilibrado desenvolvimento urba-
no e paisagístico da região

Referência: Questão 44, p. 16, Vestibular 2010, Acesso 2011, UEA.

P.S.: A título de informação e veracidade dos fatos, o prezado Pe. Edilberto Sena, por vontade própria, não participa mais da FDA. Contudo, fica registrado que, enquanto participou foi muito ativo e muitas de nossas ideologias ainda sincronizam.