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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

POLÍTICOS SOBEM E A FLORESTA AMAZÔNICA VEM ABAIXO!

 EDITORIAL DE 12.10.2010
Passou o primeiro turno das eleições nacionais e estaduais, políticos foram eleitos, outros reeleitos, também outros caíram, uns ficha limpa, outros ficha suja, mas protegidos por filigranas de leis continuam respirando. Em alguns estados, como para presidência da república, ainda virá um segundo turno.
Que se saiba, nenhum candidato, eleito ou disputando o segundo turno, revelou compromisso político em defender a Amazônia para os amazônidas e para o Brasil. Nem mesmo a candidata do Partido Verde tomou posição clara em defender os povos da região, os rios, os minérios e a biodiversidade. Os discursos que tocaram por acaso no tema Amazônia, foram poucos e ambíguos, para não ferir interesses econômicos poderosos. Pelo contrário, alguns eleitos e outros ainda candidatos são claramente favoráveis aos projetos de construir 38 mega hidroelétricas, abrir espaços para grandes empresas mineradoras e garantir a expansão do agro negócio da soja na Amazônia.
Enquanto isso, a derrubada de florestas continua firme. Só no mês de agosto passado foram 210 quilômetros quadrados de desmatamento. No mês  anterior, foram 155 quilômetros quadrados de derrubada, indicando que a destruição volta a crescer. Quem informa tudo isso é a ONG IMAZON. O Estado do Pará foi o triste campeão de desmatamento, com 142  Kms quadrados de destruição. Mas nem o orgulhoso Estado do Amazonas escapou do saque, com 21 kms quadrados de desmatamento; também foram prejudicados, o Mato grosso com 11%, Acre com 9% e Rondônia com 5% dos 210 kms destruídos.
Mesmo o governo manifestando alegria pela diminuição do saque, não dá para se festejar. O calor está aumentando fortemente em toda a região, num sinal de que a floresta está indo abaixo e a natureza responde. De Janeiro a Agosto deste ano, foram 1.549 kms quadrados de floresta posta abaixo por fazendeiros, madeireiros, plantadores de grãos e assentamentos do INCRA. É espantoso o que continua a ocorrer, com graves conseqüências para as populações tradicionais e o próprio planeta terra.
Para se ter uma idéia, só o tamanho de desflorestamento no Estado do Pará é o equivalente a 32 mil campos de futebol. Como festejar? Como elogiar o controle feito por órgãos como CTMBIO, IBAMA, SEMA e demais órgãos, ditos de vigilância? Será que ainda há dúvida para as causas das secas profundas nos rios da Amazônia?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NÃO É TÃO SUPREMO COMO DIZ

 EDITORIAL DE 24.09.2010
Hoje, poucas horas depois de os 10 ministros do assim chamado Supremo Tribunal Federal empatar em 5x5 e não decidir pela exclusão dos candidatos  Ficha Suja das eleições de outubro próximo, se pode cantar parte da música – Perfeição, dos grupo Legião Urbana que canta – “ Vamos celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação, vamos celebrar as mentiras e os seqüestros e toda  a hipocrisia...” A música segue neste ritmo e cai como luva no momento atual  em que os ministros do STF utilizam a bacia d`água de Pilatos revivida, como dez pro cônsules brasileiros a serviço do império da imoralidade política.
Eles, nesta madrugada  lavaram, as mãos e condenaram o povo brasileiro ao ridículo. Um deles, que na véspera encheu-se de dúvidas quanto à aplicação da lei  do Ficha Limpa nas próximas eleições., surpreendentemente 24 horas depois, o homem ficou iluminado e gastou duas horas de argumentos para votar contra a aplicação da lei, permitindo assim que os ficha suja possam continuar candidatos  e até serem eleitos, caso ingênuos, oportunistas e corruptos eleitores votem neles.
Cinco ministros garantiram que a lei da Ficha Limpa não alterou o processo eleitoral próximo e, portanto não feriu a Constituição. Segundo eles não há direito adquirido a ser candidato. Porém, outros cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, que não é tão supremo como dizem, afirmaram que a lei da Ficha Limpa só valerá dentro de um ano, depois de aprovada. Portanto, negaram sua aplicação nestas próximas  eleições,  deixando livres 242 corruptos já condenados em duas instâncias judiciais, inclusive o Superior Tribunal Eleitoral.
Ao final da sessão, pelas primeiras horas de hoje a triste novela terminou empatada, para alegria dos candidatos  ficha suja e indignação de toda a nação brasileira esclarecida e ética. Como o presidente do STF recusou cometer mais uma imoralidade usando  o voto de minerva, a sessão foi suspensa sem solução. E assim, a decisão sobre os  ficha suja fica para não se sabe quando no futuro longínquo.
Os atuais ficha suja estarão tranqüilos aguardando os votos dos ingênuos e dos eleitores esclarecidos  mas corruptos também, que trocam voto por favores.  Se estes condenados escaparam da degola, imagine os ficha suja que ainda não foram condenados  mas são conhecidos por seu passado. Daí que se pode afirmar sem erro que o Supremo Tribunal federal, última instância judicial do país não tão supremo assim. Além do mais lançam ao brejo a democracia, ainda mais que um deles chegou a afirmar que o s ministros não podem ficar reféns da opinião pública em detrimento da lei. Que escárnio, como se a lei criada no Congresso nacional fosse apenas opinião pública.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Político corrupto é como erva daninha.

Editorial 22.09.2010

Há o dependente de álcool, chamado de alcoólatra; há o dependente de drogas, chamado de viciado e há o incompetente político que compra votos para ser eleito, chamado de político corrupto. O alcoólatra tem cura no AA; o viciado em drogas, sua cura está na fazenda Esperança; já o político corrupto não tem cura. Para o incompetente, a saída é a cadeia e não se votar mais nele, nunca mais.

O político corrupto é de fato uma erva daninha. A lei anticorrupção está em vigor, mas não assusta o candidato oportunista e politicamente incompetente. Ele é um dependente sem cura. Tanto é que uma pesquisa realizada há pouco tempo, revela que quase a metade dos eleitores conhece casos de compra de votos por candidatos a cargo público.

A justiça promete intensificar a fiscalização das campanhas políticas nos próximos dias, a ordem dos advogados promete agilizar os processos das denúncias que chegarem e os comitês anticorrupção prometem ir atrás das denúncias feitas por qualquer cidadão honesto que testemunhar uma compra de votos.

Mesmo assim, ainda se ouve falar que, numa certa comunidade daqui da região, um candidato prometeu doar um motor de luz, em troca de a comunidade entregar uma lista com 100 votos para ele, com os números de títulos. Ouve-se também que uma turma de concluintes de universidade escolheu um certo candidato para patrono da turma, incluindo o patrocínio da festa.

O grande obstáculo para se exterminar essa erva daninha, é que muitos eleitores são corruptos também, pois quem aceita tais favores em troca do voto é ladrão também e deve ser denunciado à justiça eleitoral. Enquanto não se eliminar essa praga da corrupção, a política brasileira será uma droga sem cura.

Daí a importância da lei do Ficha Limpa, mas que seja implementada inclusive pela justiça de primeira, de segunda e de última instância, a hoje mais suspeita de desvio da vontade do povo.
 
Edilberto Sena.

domingo, 5 de setembro de 2010

MAIS UM DRAGÃO DA MALDADE NA AMAZÔNIA

EDITORIAL DE 03.09.2010

No passado mais distante era coronel de barranco o velho Zé Júlio. Ele reinava soberano nas terras da jarilândia, município de Almeirim, no Estado do Pará, escravizando caboclos ribeirinhos na região. Dizia o coronel Zé Júlio que todo aquele latifúndio sem fim era dele e os moradores deviam comprar e vender tudo através do barracão do próprio. Os ribeirinhos nunca tinham saldo em suas transações com o barracão. Exploravam castanha, resinas, borracha e madeira.

Após sua morte, os filhos do coronel Zé Júlio venderam o latifúndio sem fim ao milionário gringo Daniel Ludwig, que sonhou criar um império de exploração de, uma mina de caulim, criação de gado, cultivo de arroz em escala e principalmente com um fábrica de celulose. Fez vultoso investimento, com aval do tesouro brasileiro e cobertura da ditadura militar de então. Quando o bilionário gringo desistiu de seu louco projeto, deixou tudo, projeto falido, dívidas com fornecedores, tudo ficou por conta do tesouro nacional.

Desde então, empresas nacionais fizeram rodízio de ocupação do que podia ser aproveitado, ficando a dívida para o governo brasileiro. Hoje um grupo empresarial do sul controla as riquezas deixadas pelo dono anterior: mina de caulim, fábrica de celulose e um imenso latifúndio inconstitucional, menos a dívida do tesouro nacional. Dizem eles que sua propriedade é de um milhão de hectares. Tamanha propriedade é controversa. Em parte dela habitam centenas de famílias de descendentes de explorados do antigo coronel Zé Júlio e outras um pouco mais recente, mas anterior ao grupo que hoje explora as riquezas das terras da Jarilândia.

A empresa Jari Celulose alega ser dona do latifúndio e por isso, expulsa ribeirinhos, ameaça os mais resistentes. Interessa à empresa derrubar floresta e plantar monocultura de eucalipto para produzir celulose. Os ribeirinhos tradicionais são descartáveis. Uma série de crimes está ocorrendo naquela região: crimes ambientais com a derrubada indiscriminada de floresta para plantio de eucalipto; crime social, com a tentativa de expulsar centenas de família que habitam secularmente a região ambicionada pela empresa oportunista; e crime constitucional por alegar ser proprietária de um milhão de hectares de terra, quando a constituição brasileira não permite tal absurdo.

Tais crimes estão sendo denunciados por um grupo de moradores ribeirinhos ameaçados pela empresa que estiveram há poucos dias em Santarém e procuram proteção da justiça. Até agora o governo brasileiro, como no tempo do coronel Zé Júlio, e no tempo do estrangeiro Daniel Ludwig, dá amparo ao capitalista e ignora centenas de ribeirinhos tradicionais, filhos legítimos da Amazônia. A única esperança é o Ministério Público Federal assumir as dores dos prejudicados. Quanto à dívida deixada pelo gringo Daniel Ludwig, não se sabe se o tesouro brasileiro já pagou, ou se ainda faz parte da dívida pública que o país tem pendurada. Este é o Brasil que faz da Amazônia uma colônia de exploração das riquezas e desprezo pelos seus habitantes.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

PARA QUE SERVIU O ENCONTRO DAS 4 BACIAS AMEAÇADAS PELO PLANO DE HIDROELÉTRICAS DO GOVERNO FEDERAL?

EDITORIAL DE 28.08.2010
Uma situação um pouco surpreendente ocorreu no primeiro encontro dos militantes das quatro bacias hidrográficas em Itaituba que encerrou ontem, foi  a ausência quase  total dos 100 mil habitantes da cidade no primeiro dia. Isto, apesar da campanha anunciante do evento durante uma semana antes, inclusive com outdoors pela cidade. Os 540 participantes chegaram das comunidades rurais, ribeirinhos, municípios de Jacareacanga, Santarém, 48 indígenas Munduruku e mais os companheiros que chegaram de Rondônia, Mato Grosso e da região do Xingu.
A ausência de participantes da cidade de Itaituba Pode ter algumas explicações. Primeiro as mentiras espalhadas por pessoal do governo municipal, estadual e federal que garantem progresso, empregos e usinas construídas em plataforma, sem impactos ambientais, que a população local nem entende o que será essa construção em plataforma e quem vai entender isso, além dos sabidos da Eletronorte?
Uma outra explicação para a apatia da população local é  a falta de consciência crítica, inclusive entre estudantes de ensino médio e universitários. Outro fator é a ausência de lideranças religiosas, sindicais e políticas com consciência crítica para influenciar em seus liderados.
No entanto, os 540 participantes do encontro voltaram firmes para suas comunidades,  certos de que nem tudo está resolvido como afirma o governo federal. Se este já está agindo criminalmente no rio Madeira, em Jirau e Santo Antonio, se não conseguiu ainda iniciar os crimes no rio Xingu, embora esteja violando leis ambientais e abrindo leilão de empreiteiras e licenças disso e daquilo, e também entra na bacia do Tapajós evitando dialogar com as populações a serem afetadas pelas usinas, embora tudo isso, a guerra não está terminada.
Os esclarecimentos firmes dos especialistas presentes no encontro, especialmente os do procurador federal, Dr. Felício Pontes levaram os participantes a compreender que o governo federal está blefando quando anuncia leilão e licenças para Belo Monte, como se tudo estivesse resolvido. Nove processos sobre violações graves à Constituição nacional estão entrando na justiça federal.
Se no rio Madeira o governo enfiou goela abaixo as duas usinas, porque a população estava despreparada, no Xingu não será o mesmo caminho, pois a população regional já despertou. Segundo o procurador Felício, até o leilão poderá ser anulado, se a justiça respeitar a constituição. Isso e os testemunhos vivos de muitos participantes, elevaram  o moral do vários militantes das alianças em defesa dos povos e rios da Amazônia. O grito de guerra do índio Arara da Volta Grande do Xingu foi acolhido com respeito e aplauso. Disse ele que Belo Monte só será construída sobre o sangue e corpos dos povos da região. Se o governo quer guerra, haverá guerra.
O encontro atingiu seus objetivos principais, pois a cidade de Itaituba teve as informações transmitidas pelos cinco canais de televisão locais e da Rádio FM Alternativa que deram boa cobertura, como também foi definida uma estratégia de reforço da aliança dos lutadores das quatro bacias hidrográfica ameaçadas pelo plano criminoso da Eletronorte. Uma estratégia conjunta será posta em prática nos próximos passos.  Contra a força da união organizada não há ditadura que vença e os rios da Amazônia terão defensores firmes.

VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA

 EDITORIAL DE 25.08.2010
  Diante da notícia de que o governo brasileiro decide destruir a bacia rio Tapajós para construir cinco mega hidroelétricas, um taifeiro de um barco de linha Santarém Itaituba se perguntava em voz alta – mas será que ninguém reage? Será que vamos permitir tal desgraça? Foi quando alguém que estava perto e o escutou, informou que naquela viagem do barco estava um grupo que iria se juntar a outros 600 companheiros lá em Itaituba para ver como reagir. Ele então prometeu que iria passar lá no local para acompanhar as discussões. 
De fato, cerca de 600 militantes defensores da Amazônia estarão nestes dias reunidos, vindos uns de Rondônia, onde o governo federal já destrói o rio madeira com duas hidroelétricas, outros vindos do Mato Grosso, onde o governo pretende destruir o rio Teles Pires (nascente do rio Tapajós), com três hidroelétricas, outros,  do rio Xingu, onde o governo insiste em destruir o belo rio com a hidroelétrica de Belo Monte e  mais outros, da região do Tapajós, onde o governo pensa destruir para levantar cinco mega hidroelétricas.
Uns chegarão de barco, outros de ônibus, alguns mais de longe virão de avião e outros chegarão de caminhonetas. Dois objetivos reúnem todos e todas militantes, um é sensibilizar a população da cidade de Itaituba sobre os graves impactos que estão previstos para a população, caso se deixe o governo livre para suas arbitrariedades. Até o momento grande parte da sociedade itaitubense, ou está desinformada e acomodada, ou os oportunistas aplaudem o plano governamental pensando em usufruir algum possível emprego ou dinheiro que correrá enquanto as obras estiverem em construção. Não se dão conta que, como no tempo bíblico de Noé, o dilúvio matará a todos.
O outro objetivo do encontro das 4 bacias é fortalecer a aliança de todos os que já se deram conta que os planos do governo são assassinos contra os povos da Amazônia e é urgente se construir uma estratégia de resistência para frear o plano das usinas assassinas. Já se deram conta que o governo se aproveitou da desarticulação em Rondônia e impôs o fato consumado no rio Madeira, quando a desgraça já está visível, na falta de farinha e de peixe para a população de Porto Velho e a expulsão dos ribeirinhos já é fato. É urgente apoiar a luta dos atingidos pelas barragens de Jirau e Santo Antônio, ao mesmo tempo tirar lições de lá e resistir no rio Xingu, Tapajós, Teles Pires e demais rios ameaçados.
A sanha do capital explorador e a criminosa subserviência dos governos federal e estaduais, querem gerar progresso, à custa dos povos da Amazônia. Nem todos, porém, estão dormindo na região só a lamentar como o taifeiro do barco. O encontro das quatro bacias em Itaituba neste dias é sinal disso. Acordar 100 mil possíveis vítimas das barragens do rio Tapajós em Itaituba e fortalecer a  estratégia de resistência coletiva é algo novo na Amazônia.
Assim como os índios Juruna e Arara já declararam lá na Volta Grande do rio Xingu, que a usina de Belo Monte só será construída sobre o sangue deles, também os outros nativos da Amazônia querem saber como apoiar os parentes do Xingu e aprender com eles, a enfrentar as arbitrariedades do governo,  que se diz democrata e viola as leis constitucionais para servir a empreiteiras e mineradoras nacionais e estrangeiras. Esses militantes têm consciência de que o governo federal não tem direito de violar direitos sagrados dos indígenas, ribeirinhos, caboclos urbanos e rurais destas terras que são suas vidas.
Neste dias se cantará em Itaituba o hino nacional na parte que diz- Verás que um filho teu não foge à luta...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

IGREJA PREOCUPADA COM CIDADANIA BRASILEIRA - EDITORIAL 16.08.2010

Alguém poderia perguntar sobre o que tem a ver religião com política? Por que a Igreja se preocupa com o processo eleitoral, se o estado brasileiro é laico e não se mete nas coisas da Igreja? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB explica que é seu dever orientar, não apenas os católicos, mas todos os e as eleitoras brasileiras sobre a necessidade de se escolher bem os que receberão seus votos. Afinal está em jogo o presente e o futuro do país.


Votar não pode ser uma questão de simpatia, de pagamento de favor, ou de paixão partidária. Votar é um dever ético e moral. Infelizmente a vida política tem sido desgastada pelos desvios da moralidade por muitos políticos, ao ponto que obrigou a sociedade organizada a promover um grande abaixo assinado que levou o Congresso Nacional a criar a lei da ficha limpa. Daí que os bispos da CNBB decidiram promover um debate com todos os candidatos à presidência da República no próximo mês de setembro, antes das eleições. Mesmo que outras organizações de televisão já tenham suas agendas de debates e entrevistas com candidatos, o bispos sentem necessidade de organizar um debate debaixo da ótica da moral cristã.

Como os candidatos mostram convicção sobre enfrentamento de desafios nacionais a exemplo da reforma agrária, a reforma da educação, a sustentação do sistema único de saúde, a moralidade dos serviços públicos? Esses entre outros desafios que têm permitido o Brasil crescer economicamente e continuar com a mais escandalosa desigualdade social do planeta.

Será um debate para toda a nação poder escutar, ver e tirar conclusões para sua decisão de votar certo no dia 03 de outubro. O e a eleitora que acompanhar o debate poderá ampliar sua capacidade de escolha entre os candidatos à presidência da república, observando como eles respondem a questões de programa de governo, ideologia que seguem, etc. Certamente que muitos eleitores ainda estão bastante confusos e indecisos, uns até pensando em votar nulo ou em branco. Acontece que fazer isso isoladamente é enterrar a cabeça na areia como faz a avestruz diante do perigo. O que não evitará que um seja eleito e até venha a prejudicar mais a democracia brasileira. A omissão do eleitor pode ser responsável por prejuízos à população.

Também o critério de mais apresentação na propaganda na televisão e rádio não pode ser válido para se pensar que o melhor é o que mais aparece. Quem mesmo tem ficha limpa? Quem mesmo revela maior competência política e mais responsabilidade com a distribuição da riqueza do país com a maioria da população? Quem mesmo defende a população e a natureza amazônica? Pois quem defende construção de tantas mega hidroelétricas na Amazônia não merece voto de eleitores da região. Por isso, será importante acompanhar aquele debate que será promovido pela conferência dos bispos do Brasil. Falta ainda a data, o horário e os canis de televisão e rádio que transmitirão desde Brasília. É aguardar e participar.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

EDITORIAL DE 28.07.2010 - ÍNDIO SABE QUE XAROPE É BOM PARA TOSSE!

                 Como reagiria a sociedade santarena,  se um dia a prefeitura decidisse vender o local do cemitério dos Mártires para uma empresa construir um hiper mercado? Iria permitir? Então, que dizer,  no caso dos 300 indígenas que nestes dias se rebelaram contra a empresa construtora que destruiu um cemitério indígena para construir uma usina hidroelétrica lá em Aripuanã, Mato Grosso?
Eles paralisaram  a obra e prenderam 100 trabalhadores, exigindo re peito a seu patrimônio destruído pela construção. Estavam  eles certos em causar aquele incidente? A Eletronorte patrocina a violação de um cemitério indígena em nome do progresso.
É justificável o Estado brasileiro invadir lugares sagrados de um povo para gerar energia “ limpa” para indústrias e o crescimento econômico? Os 300 índios de 11 povos distintos  da região vizinha de Jacareacanga  já compreenderam que se o governo brasileiro não respeita a Constituição Nacional,  há outros meios de se fazerem  respeitados. Eles já praticam o antigo ditado  “ a União faz a força e povo unido jamais será vencido” .
Certamente que algumas pessoas submissas ao poder do capital dirão que os índios de Aripuanã não têm direito de paralisar uma obra importante como a hidroelétrica  que é do governo federal. Mas quem tem consciência sabe  que o direito do outro termina onde começa o meu e os indígenas têm direitos garantidos pela Constituição Nacional.
Assim têm razão de defender o que é seu,  tanto os indígenas de Aripuanã, como os Kaiapó do Xingu e os Munduruku do Tapajós, estes que já mandaram aviso ao Presidente da República de que o governo não tem direito de violar rios e florestas, a vida e a dignidade dos povos da floresta. O programa de aceleração do crescimento não pode ser feito à custa da vida destes povos.
Da mesma forma como a sociedade santarena   tem direito à preservação de seus cemitérios, os índios  também têm seus  patrimônios,  cultural e religioso que merecem respeito. Sim, ou não? Critica-se o imperialismo norte americano no mundo, com razão, como é injusto o que o povo israelita está causando ao povo palestino. Mas muitos ainda dão razão aos crimes causados à Amazônia em nome do progresso e do crescimento econômico. Mas os povos indígenas estão dando exemplo de que quando alei não funciona há outros meios de o respeito ser garantido.  Se um ladrão tenta roubar uma residência, o dono tem direito a defendê-la mesmo que na defesa,  o criminoso venha a sofrer danos. 
Pe.Edilberto Sena

sexta-feira, 23 de julho de 2010

NEGRO CLAMA E CONQUISTA LIBERDADE!

Há dívidas que são pagas em dia, quando o devedor é pontual e fiel. Há outras dívidas que são pagas com muita demora, porque o devedor só reconhece muito tarde, ou porque é forçado a pagar o que deve. E há dívidas que nunca são pagas porque o devedor, arrogante, ignora o direito do seu credor.
No caso dos bisnetos de escravos do Brasil, os chamados quilombolas, o devedor acaba de admitir sua dívida e decidiu pagá-la. Isto é, decidiu pagar para uma pequena parte dos grupos de bisnetos de escravos no município de Santarém. São vários grupos quilombolas no Baixo Amazonas, mas desta vez apenas 3 ou 4 grupos da Várzea conquistaram parte de seus direitos. O governo federal sancionou o reconhecimento definitivo de que as terras dos quilombolas da Várzea santarena lhes pertencem.
Esse é o lado bom da conquista, os netos e bisnetos dos escravos santarenos conquistaram a liberdade da terra que era sua, desde que  seus antepassados ocuparam, fugindo do chicote  e da senzala. No entanto, por ter demorado tanto esse reconhecimento, tal conquista carrega um lado ruim. É que os não quilombolas, talvez até bisnetos de alguns senhores de escravos no passado, hoje tão pobres quanto seus vizinhos quilombolas, terão que sair das terras onde nasceram. Serão indenizados e re assentados em outro local. Perderão suas raízes culturais.
Tal fato pode parecer injusto, mas não é. Injusto e cruel é ter existido a escravidão por tanto tempo no Brasil e em Santarém especialmente. Tão injusto também foi quando os senhores da Casa Grande, obrigados a fecharem as  senzalas, deixaram seus ex escravos ao abandono na miséria. Só agora, à conta gotas, o Estado brasileiro reconhece os direitos à terra e a liberdade cultural.
Ainda falta muito para o Estado reconhecer os direitos de todos os quilombolas no Baixo Amazonas e do Brasil todo. Os não quilombolas que terão que se retirar das terras hoje reconhecidas, Podem achar incômodo, não têm culpa da situação, mas terão que admitir que o direito dos quilombolas é legítimo.  Seus avós e bisavós sofreram muito, habitaram aquelas terras, morreram sem segurança e hoje devem estar sorrindo no além onde habitam. Afinal, demorou,  mas a justiça está sendo feita.
Pe. Edilberto Sena

quinta-feira, 15 de julho de 2010

MULTINACIONAL CARGILL NA BERLINDA

O relatório de impacto ambiental, RIMA sobre o porto graneleiro da empresa Cargill, não convenceu alguns analistas. A audiência pública de ontem em Santarém, bastante concorrida, com forte aparato policial e seguranças, criou fatos novos, que pode levar à paralisação e até retirada do porto da Cargill de Santarém.
O Ministério Público Estadual, ao detectar sintomas  de erros no EIA RIMA, garante o seguinte: “vai determinar abertura de inquérito policial para investigar a veracidade dos dados do Eia Rima do terminal de grãos da Cargill em Santarém. Procuradores dos dois ministérios, (federal e estadual) têm fortes suspeitas de que informações contidas nos estudos (de impactos) não são verdadeiras”.
A situação da empresa se complicou, porque as explicações de técnicos do MPE apresentadas na audiência pública, criaram  um clima bastante constrangedor, tanto para a empresa que produziu o Eia Rima, como para a Cargill. Afinal, a multinacional, que declarou ter grandes empreendimentos em 45 países e vários estados brasileiros, e que trabalha de acordo com os princípios das leis brasileiras, além de se preocupar com o meio ambiente e trazer desenvolvimento para a região, agora não conseguiu convencer o plenário da audiência pública de que está tudo correto em seus procedimentos.
O MPE levanta suspeita de fraude no relatório de impactos ambientais. Agora, além do inquérito policial a ser determinado pelo ministério, aguarda-se o posicionamento da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, responsável pela avaliação final do EIA RIMA. Se realmente houve manipulação de dados no estudo de impactos, não deve ser concedida qualquer licença ao funcionamento do porto da Cargill em Santarém. Se isto vier acontecer, prejudica todos os beneficiados da empresa, mas protege a população da cidade de impactos sociais ainda maiores, de hoje e do futuro próximo  quando, segundo informação da própria Cargill, centenas de caminhões carretas estarão chegando à cidade carregadas de soja, que além de causar graves transtornos ao trânsito da cidade, provocarão aumento de prostituição, doenças venéreas, drogas e outros conflitos sociais.
Pe. Edilberto Sena

segunda-feira, 14 de junho de 2010

“HONORÁVEIS” ZELADORES DO RIO XINGU

Que notícia ein! A Câmara de deputados federais em Brasília aprova a criação de uma Comissão Especial de deputados para  acompanhar a implantação da hidroelétrica de Belo Monte. Até parece coisa séria.  Será que os deputados da tal comissão já vieram à região do rio Xingu consultar aquela parte da população que é contra a construção da desastrosa usina? Já sentaram com as lideranças indígenas Kaiapó, Juruna, e demais etnias xinguanas para saber se eles concordam com tal empreendimento? Essa notícia ainda não se ouviu.
O que já se sabe é que o governo federal está impondo à força o projeto, doa a quem doer. Até já demitiu funcionários sérios do IBAMA que recusaram acelerar o processo de licenciamento da usina. Mais recente,  já conseguiu truques jurídicos para retirar da instância  federal de Altamira o poder de julgamento dos casos referentes à contestada usina. A Câmara federal apenas cria uma comissão faz de conta, para legitimar a agressão aos povos do Xingu.
Quem são afinal os  “honoráveis” membros da comissão especial? São 15 deputados, boa parte deles, do Estado do Pará. Quando se olhar a folha corrida de tais honoráveis, vai se descobrir que sete ou nove deles estão na lista dos “ficha suja” do congresso nacional. São acusados de desvio de conduta, corrupção, etc. Como confiar em tais fiscais da implantação da usina Belo Monte? Quem garante que não serão oportunistas para fechar os olhos a desvios da implantação a troco de alguns favores mais?
Aliás, a notícia dá conta que essa comissão especial foi montada por outra comissão maior, a da Amazônia. Esta é composta de parlamentares de toda a Amazônia legal e já existe desde 1997. Alguém por acaso  sabia disso? O que essa comissão da Amazônia tem feito em benefício dos 25 milhões de habitantes dessa importante região brasileira?
Em defesa dos povos não se sabe, mas se omitindo diante da invasão oficial de empresas estrangeiras exploradoras de minérios na região, isso se sabe; se calando e apoiando a mudança de fusos horários em vários estados da Amazônia, sem consultar os prejudicados, isso é verdade;  Agora apoiando a construção de 10 mega hidroelétricas na Amazônia, mesmo com graves prejuízos ambientais e sociais, isso também é verdade. Então de que adianta tantas comissões  de “honoráveis”, se os povos da Amazônia não são ouvidos nem respeitados? Honoráveis fichas sujas nomeados para fiscalizar obra tão contestada por parte da sociedade amazônida, que notícia!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ficha limpa, nem tanto.

Não dá mesmo para se confiar na maioria dos políticos brasileiros. Quando será que haverá seriedade no trato com a nossa sofrida democracia? Mais um ato de tapeação foi aplicado na sociedade civil, no caso da lei de moralização da política nacional, a lei da ficha limpa.
Toda a votação foi concluída, a Câmara Federal até que respeitou quase tudo o que o abaixo assinado, com mais de um milhão e quinhentos mil eleitores apresentou ao Congresso.  Mas quando chegou ao Senado, de onde se esperava mais seriedade, veio a armadilha. Já nos finalmente da aprovação, alguém, provavelmente, um senador ficha suja, trocou duas palavrinhas, que muda basicamente a intenção da lei.
O malandro Senador incluiu a frase “que forem condenados” em lugar da outra “tenham sido condenados”, como estava no texto já aprovado na Câmara dos Deputados. Onde está a desonestidade dessa mudança? É que, com a frase anterior “que tinham sido condenados”, a lei iria atingir vários políticos que hoje têm mandato e estão já condenados por um juiz ou grupo de juizes, mas que por causa do privilégio da imunidade vinham recorrendo e recorrendo a outro tribunal.
Com a mudança da frase: “que forem condenados”, ai os atuais fichas sujas podem todos deixar de serem punidos. Tudo agora vai depender do julgamento do Supremo Tribunal Federal, que não tem sido tão isento como devia. Basta lembrar o julgamento da homologação das terras Raposa Serra do Sol, em Roraima, que aprovaram, porém com 18 condicionantes que mudou a lei. Só os futuros políticos que sujarem sua folha corrida e vierem a ser condenados é que serão afastados da vida pública.
Isto é, todo o esforço da sociedade civil, a opinião de milhões de eleitores que votaram no abaixo assinado e por internet, não moralizou 100% o atual Congresso Nacional. Só há uma forma agora de moralização, os e as eleitoras tomarem consciência de quais   são os políticos ficha suja; e em nome da moralidade pública nunca mais votarem neles e nelas. Em outubro haverá eleições e será um teste para os e as eleitoras que querem moralizar a política nacional.

Pe. Edilberto Sena
21/02/2010

Antigamente....

Antigamente as crianças brincavam de roda e uma cantiga dizia assim: “vamos passear no bosque em quando seu lobo não vem...”. Há pouco tempo, grupos populares do bairro do Laguinho lutavam para garantir um campo de futebol tradicional, o chamado bosque da Vera Paz. Porém, seu lobo já havia  chegado, tomou conta do bosque e os moradores foram proibidos de passear no local. Mais, recente, surge nova informação: a Prefeitura de Santarém apresenta um plano de construir ali, na área alagadiça da Vera Paz, uma chamada plataforma e transformar a área em Bosque.
A que área se refere a prefeitura? Será que seu lobo ficou manso e deixou a área do campo e do antigo bosque livre para as crianças passearem? Tudo indica que se está usando uma mesma palavra para sentidos diferentes, basta olhar a área demarcada para o novo projeto. Bosque, para os moradores do bairro era toda a área arborizado, entre a avenida Cuiabá e a beira do rio. Bosque na linguagem da prefeitura é apenas a beira do rio, alagadiça que será continuidade da orla da cidade. É uma restinga com alguma árvores e o alagado.
Por que será que a Companhia Docas do Pará, “doou generosamente” à prefeitura, o que é patrimônio da população? E por que doou apenas a área alagadiça que vai obrigar a prefeitura a gastar mais dinheiro para fazer uma plataforma elevada? Será para criar um bosque, ou será apenas uma passarela para proteger o bosque de seu lobo? É para atender ao lazer dos moradores do bairro, ou é para enganar a população desatenta que se conforma com qualquer coisa?
Por que será que a direção das Docas expulsou os times de futebol que utilizavam o campo da Vera Paz a mais de 20 anos? Por que de repente a prefeitura anuncia alegremente a construção de uma passarela e dá o nome de bosque a uma restinga alagadiça? Será aquilo urbanização da Pérola do Tapajós?
Quem duvidar vá lá dar uma olhada no serviço já iniciado. E assim, de grão em grão a perola do Tapajós, como o próprio rio, se torna terra dos outros, os que chegam de fora, assim como chegaram os portugueses e expulsaram os Tupaiús e Boraris. O mais triste é que a maioria dos nativos hoje ficam satisfeitos e conformados com as miçangas ofertadas com festa.

Pe.Edilberto Sena

terça-feira, 27 de abril de 2010

Quem é insano na questão usinas de Belo Monte?

 Editorial de RNA em 26.04.2010

Os direitos de livre pensar e se expressar estão  garantidos  na constituição brasileira. Embora que vale também o ditado – “quem diz o que quer, se obriga  a ouvir o que não quer”... O presidente da república brasileira tem dito muitas coisas que são insanidades, não cabendo bem na boca de um chefe de Estado. A mais recente afirmação descabida ocorreu nestes dias, justamente em relação à Amazônia, mais precisamente sobre o caso do obstinado projeto hidroelétrico de Belo Monte, no rio Xingu.
 
Disse o lustrado presidente que “será um movimento insano não construir a usina de Belo Monte...”. Insano, no dicionário quer dizer – irresponsável, doido, mentecapto. Afinal, quem é insano neste controvertido projeto? O bispo do Xingu? Os índios Kaiapó, Jurunas, Xicrin e demais povos indígenas da região? Os amazônidas que defendem a vida e combatem  a estúpida obstinação de quem quer a todo custo, construir a hidroelétrica de Belo Monte mais cinco outras na bacia do Tapajós?

O presidente desvia o argumento da insanidade, ao comparar custos de energia gerada por fontes, eólica e solar, com a energia hídrica. Mas para os amazônidas conscientes e realistas, com sanidade mental, o presidente vagueia em sua argumentação para justificar o injustificável, que se for construída a usina de Belo Monte será um desastre econômico, social e ambiental, porém ele decidiu arbitrariamente que tem que ser construída. As razões para o ser contra tal projeto são claras, Belo Monte não pode ser construída por ser crime contra a o rio, a natureza e os seres humanos da região. Não adianta argumentar que é mais barato do
que a energia solar, quando o desastre irreversível à região está comprovado por gente competente e honesta.
 
Quem afinal é insano nesta estória de hidroelétricas na Amazônia? Os que defendem a vida e a região, ou os que obstinadamente insistem  em construir hidroelétricas para grandes empresas e para o tal
crescimento econômico, sem desenvolvimento humano?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

AUDIÊNCIA PÚBLICA DE FAZ DE CONTA

 EDITORIAL DE 26.03.2010
A Constituição brasileira tem um dispositivo bem democrático na questão de projetos com possíveis impactos, sócio ambientais. É a exigência de Audiências públicas antes do início de qualquer uma dessas obras públicas. O sentido original da necessidade de audiência pública é que as autoridades escutem as análises da sociedade, se aquela obra é válida, viável e sem impactos irreversíveis aos que vivem no entorno da referida obra. Se a decisão do plenário da audiência pública for contrária à sua realização, teoricamente a autoridade é obrigada a modificar ou suspender  a execução.
Isto é o que prevê a Constituição nacional. Na realidade, não acontece assim. Governos, municipais, estaduais e o federal costumam deturpar e violar a constituição como ficou patente nas audiências faz de conta, sobre a desastrosa hidroelétrica de Belo Monte.
No Estado do Pará, além desse caso Belo Monte, o governo do Estado também tem dado um jeito de burlar a constituição.  Foi criado há pouco, um projeto para conceder florestas estaduais nas glebas, Nova Olinda e Mamuru, aqui no Oeste do Pará. Já houve reuniões com moradores tradicionais, antes das audiências públicas; o órgão estadual, IDEFLOR, conhece o sentimento e decisão dos referidos moradores, no entanto, foram realizadas pro forma, algumas audiências públicas.
A decisão do governo do Estado é arrendar 312.500 hectares, isso mesmo, trezentos e doze mil e quinhentos hectares de floresta a quem se interessar por explorar produtos florestais, especialmente madeira de lei, como  ipê,  abundante naquela região. Vários grupos de forasteiros do sul já se instalaram nas duas glebas e estão ansiosos por legalizar madeira que estão extraindo e tendo dificuldade com a reação dos moradores tradicionais.
Para as tais audiências públicas, os convidados ao chegarem na entrada da sala são recebidos por uma pessoa que lhes apresenta uma lista para ser assinado o nome e um documento de identidade. Isto é o essencial aos promotores da audiência, para confirmar que ela foi bem participada. O que ocorre durante, são muitas explicações e justificativas dos promotores sobre a importância e viabilidade do empreendimento. Aos convidados restam alguns  minutos para perguntas e possíveis contestações que não serão levadas em conta, caso seja pedido o cancelamento da obra, devido a comprovantes de sua inviabilidade.
O projeto que foi elaborado pelos órgãos do governo já está concluído. No caso do arrendamento de florestas das glebas, Nova Olinda e Mamuru, até o tamanho das terras está definido, 312.500 hectares, que serão arrendados aos madeireiros interessados. Os moradores tradicionais ficarão com o resto, ao redor de suas casas com no máximo 100 hectares. Além dali não poderão mais caçar, tirar palha, castanha, frutos da floresta, nem madeira.  
As audiências públicas portanto, são apenas rituais vazios de faz de conta, numa total violação da constituição nacional. As autoridades enganam o povo para atender interesses políticos e de grupos econômicos. Esta é a democracia imposta ao povo brasileiro. Quem poderá mudar tal situação?

quinta-feira, 11 de março de 2010

BARREIRAS POLÍTICAS À EMANCIPAÇÃO DO OESTE DO PARÁ

O Oeste do Pará precisa ser emancipado. Razões há muitas, sendo algumas principais, a distância do centro do poder administrativo, a capital; também a divisão injusta dos benefícios de arrecadações de recursos do Estado, isso acontecendo por conta da errônea ideologia centro x periferia. Por outro lado, o Oeste do Pará já tem capacidade social, política e econômica de subsistir, ao menos aos moldes do que ocorre hoje nos estados brasileiros do norte.

Um milhão de habitantes desta região vive a reboque dos interesses de políticos e administradores de Belém, que gastam maior parte dos recursos arrecadados em benéficos da capital e seus arredores. Assim, já é hora de as populações desta região exigirem respeito a seus direitos de autonomia político administrativa, como já vem fazendo obstinadamente o grupo de voluntários que busca sensibilizar populações regionais e o ongresso nacional para terem o direito de manifestar sua opção num plebiscito.

Um dos obstáculos maiores tem sido os interesses mesquinhos das elites econômico políticas de Belém e do congresso nacional. E mais grave, os interesses políticos dos estados do sul e sudeste do Brasil que recusam repartir a força política e o bolo dos fundos federais. Mas, o mais triste dessa história da busca de emancipação do Oeste do Pará, tem sido o comportamento e certos políticos paraenses, principalmente daqueles que têm sido eleitos com grande apoio dos e das eleitoras desta região. O deputado federal, eleito com maioria de votos do Oeste do Pará, agora se pronuncia contra a emancipação e de maneira oblíqua, alega que as elites da capital não permitem a emancipação, que só ocorrerá daqui a uns 20 anos (quando ele e outros já tiverem morrido, ao menos politicamente). Qual o interesse dele e dos outros contra tal direito de um milhão de pessoas poderem utilizar o plebiscito e dizerem se querem ou não a emancipação? Terá ele e os outros, interesses econômicos com tal oposição? Interesses políticos pessoais? Estarão eles presos a interesses de seus partidos, cujo comando está lá no sul do país e são contra a emancipação? Ou estarão eles submissos a jogo de interesses das elites político econômicas de Belém do Pará?
 
Esses políticos que hoje são contra a emancipação do Oeste do Pará, daqui a pouco chegarão na região em busca de votos para se reelegerem. Merecerão ainda votos dos e das eleitoras daqui, que hoje precisam dos
votos deles para acelerar a emancipação? Democracia é o governo do povo, pelo povo e com o povo. Se for verdade, político precisa aprender urgentemente a respeitar os anseios das populações, que eles supostamente representam. Sim ou não?

Pe. Edilberto Sena

segunda-feira, 8 de março de 2010

MULHER COMPANHEIRA, SUJEITO DE DIREITOS

EDITORIAL DE 08.03.2010
Oito de março, dia internacional da mulher é dia de memória e não de festa, dia de reflexão e não de parabéns. Esta data foi estabelecida para que homens e mulheres se dêem conta que ser diferente não
significa ser inferior. Infelizmente a história da humanidade tem sido predominantemente dirigida por homens sob a ideologia do machismo, por isso, é que a mulher  tem sido mantida como ser inferior,  frágil e
submissa.

Chegou uma época em que algumas mulheres tomaram consciência coletiva de seus direitos trabalhistas, exigindo melhores salários na fábrica onde trabalhavam. Foram punidas, estupidamente queimadas no salão da fábrica, por  seus patrões. Mas dali em diante a história tomou outro rumo na questão de direitos humanos da mulher. Não foi uma mudança de uma hora para outra. Os homens não mudaram de mentalidade machista
rapidamente.

Mas as conquistas continuaram, a primeira delas foi  a consciência de sua dignidade e a luta por mais respeito a seus direitos. Esta é uma luta que continua até hoje sem que a igualdade de gênero já seja uma conquista total. A lei Maria da Penha e as delegacias da mulher são indicativos de que o machismo continua forte ainda as sociedade.

O dia 08 de março é um convite oportuno a homens e mulheres. A eles, para refletirem sobre seu  comportamento com as mulheres, sobre seu reconhecimento da igualdade de gênero, ou ainda o pensamento de que elas são inferiores e precisam se conformar de que eles são mais fortes, têm mais direitos e coisas parecidas?  A elas, o estímulo a continuarem a luta por auto estima  e engajamento firme nas lutas por
dignidade sua e de suas companheiras .

Não basta o consolo de que já podem votar em eleições, ter 4 meses de férias maternidade, de já existirem mulheres médicas, juízas e parlamentares, entre outras profissões bem remuneradas. É preciso que as mulheres médicas, juízas e parlamentares paguem salários dignos às suas empregadas domésticas e não apenas o salário mínimo, tratando-as como companheiras e não como objeto de cuidado com suas casas; que se engajem nas lutas por mais dignidade de suas companheiras mulheres.

O dia internacional da mulher  portanto, não é dia de festa, mas de reflexão e mudança de comportamento de mulheres e homens, de trabalhadoras, patrões e patroas. Acima de tudo, todos precisam compreender que ser diferente em gênero não é ser  inferior, que o digam Joana D`Árc, deputada Erondina,  doutora Zilda Arns e tantas outras mulheres lutadoras e generosas.

A MORATÓRIA DA SOJA, UMA FANTAZIA PARA INGÊNUOS

EDITORIAL DE 05.03.2010
Quando a multinacional Cargill se viu acuada com as críticas e denúncias por causa dos prejuízos sociais e ambientais na região Oeste do Pará, conseqüência de seu porto graneleiro na cidade de Santarém, a empresa apelou ao diálogo de conciliação. Aliás, diga-se de passagem, este porto em Santarém ainda está sub judice, portanto a Cargill não está totalmente legalizada e ainda poderá ser condenada a retirar o porto construído ilegalmente em frente a cidade de Santarém.

Pois bem, a Associação nacional de cultivadores e compradores de grãos, a ABIOVE convidou algumas ONGs ambientalistas e movimentos sociais da região santarena  para uma tentativa de se construir uma chamada Moratória da soja. Pela tal moratória as empresas só comprariam soja de produtores que não mais derrubassem floresta. Isto foi em 2006.

O movimento social popular FRENTE EM DEFESA DA AMAZÔNIA, FDA participou de três encontros de diálogo e logo percebeu que a proposta de moratória era apenas um empurra com a barriga a situação que estava incomodando as sócias da Abiove. Era um truque para iludir os desavisados e os ingênuos. Isto porque a proposta da Abiove era de se concordar numa moratória de apenas dois anos, iniciando em julho de 2007. A FDA propunha, se era para ser uma moratória séria, um espaço de 10 anos, iniciando em dezembro de 2003. A proposta do movimento popular nativo sabia que foi a partir de 2003 que aumentou a compra de lotes da agricultura familiar e derrubada de floresta pelos sojeiros. Os membros do encontro, representantes da BUNGE, CARGILL, MAGGI entre outras, recusaram a proposta imediatamente.
As ONGs se calaram e depois da terceira reunião o movimento popular santareno rompeu o diálogo por perceber que era uma farsa a proposta de moratória de dois anos. Não deu outra, os que ficaram nos encontros fecharam acordo  e começou a tal moratória em julho de 2007. Em julho de 2009 foi prolongada por mais um ano, por não ter dado certo o prazo original. Agora, o próprio líder do Greenpeace, uma das ONGs que aceitou o acordo da Abiove, reconhece que continuou o desmatamento em áreas de soja em Santarém e mais ainda no Mato Grosso. Isto é, a tal moratória de três anos foi só conversa para inglês e europeu verem. Se diminuiu  um pouco a produção de soja na região Oeste do Pará, nesses últimos três anos,  foi por outras causas, como a crise financeira mundial, com rebaixamento do preço internacional que levou vários sojeiros até a retornarem a seus estados de origem.
Mas a desgraça do desmatamento já ficou na região. Tinha razão a Frente em defesa da Amazônia ao romper com o pseudo diálogo. Hoje a Abiove e a Cargill em particular lançam propaganda de serem empresas sérias que respeitam o meio ambiente. A Cargill está com uma campanha em Santarém de induzir crianças de escolas e seus professores a acreditarem que ela só faz o bem, distribui merenda gorda e aponta “grandes” benefícios que oferece à sociedade santarena.  E diz mais, que é uma empresa totalmente legalizada, mesmo estando vivo um processo contra o porto.Acredite quem quiser.

sexta-feira, 5 de março de 2010

MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL PARA QUE EXISTE?

 EDITORIAL: 03 de março de 2010.
Até hoje os conflitos no rio Arapiuns e no rio Uruará não foram resolvidos. A causa dos dois conflitos é a extração de madeira da floresta estadual. As populações tradicionais garantem que a madeira é extraída ilegalmente, de terras públicas destinadas a serem reserva extrativista, e terras indígenas. Madeireiros dizem que têm plano de manejo conferido pelo órgão do Estado. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente –SEMA  e o Instituto de Desenvolvimento Florestal – IDEFLOR, não vão lá dentro das duas áreas com a presença das populações locais para vistoriar todas as áreas, que elas garantem que a madeira está sendo roubada.

Ai deveria entrar o Ministério Público Estadual, responsável por zelar pelo patrimônio do Estado, inclusive os direitos das populações tradicionais. Até que o MPE entrou na questão. Mas os moradores do rio Arapiuns não mais confiam na imparcialidade da procuradora. Garantem as lideranças populares que foram enganadas, porque, convocadas para uma reunião privada, encontraram um grupo de madeireiros à sua espera no salão do MPE. O que queriam os madeireiros? Fazer acordo? Mas como se os moradores afirmam que as madeiras estão sendo extraídas ilegalmente?

Retiraram-se os líderes das populações tradicionais indignados, porque para eles o papel do MPE não é fazer conciliação de interesses opostos, mas zelar pelo patrimônio do Estado, entre outros, as florestas, rios e meio ambiente. Os líderes foram convidados pela procuradora para uma reunião privativa e não para sentar junto com os considerados ilegais da extração de madeira, justamente a acusação levantadas há meses pelos comunitários. Os órgãos do governo suspeitos de conivência com a ilegalidade demoraram a vir fiscalizar e quando vieram fizeram pela metade.

Ora, quando o MPE perde a confiança da população a quem recorrer? O que ser pode esperar da ordem pública? Até hoje nenhuma investigação séria foi concluída nas áreas dos rios Uruará (município de Prainha) e Arapiuns (município de Santarém). Fica a suspeita de que os órgãos do Estado do Pará têm compromissos com as madeireiras e por isso não enfrentam com objetividade as acusações das comunidades locais. E as lideranças se perguntam, mas afinal para que servem SEMA, IDEFLOR e MPE?

segunda-feira, 1 de março de 2010

EDITORIAL DE 25.02.2010

Uma notícia de hoje chama a atenção, isto é, a Central Única de Trabalhadores, CUt, que não é mais única, por causa de várias dissidências e surgimentos de outras centrais, promove em Santarém, um estudo formativo para sindicatos de trabalhadores. Pela informação, ainda não é para sindicalistas, mas para direções de sindicatos.  Já é um passo adiante, pois pode ser que a partir daí, os sócios dos sindicatos venham a ter também formação sindical. Só em Santarém há mais de 25 sindicatos de trabalhadores, de várias categorias.  A maioria,  quase desconhecida da sociedade. Pelo que se sabe, também a maioria dos trabalhadores não se liga nos sindicatos de sua categoria,  eles e elas desconhecem as vantagens desse instrumento de luta no mundo do trabalho. É compreensível tal situação, já que os sindicatos perderam muito de seu sentido ideológico da luta de classes.
 
Já foi o tempo em que sindicato era respeitado e até temido pelos patrões. Esta força se perdeu por vários motivos, entre os quais o excesso de mão de obra e a esperteza do mundo das empresas e patrões; outra razão tem sido a falta de espírito corporativista das direções sindicais, que facilmente se apelegam, ou utilizam a direção sindical como trampolim para a política partidária. A própria CUT que já foi a mais poderosa força sindical no Brasil, hoje não tem mais capacidade de unir num enfrentamento com patrões, seus sindicatos associados. Foram surgindo dissidências, novas centrais sindicais, com tendências políticas diferentes e a classe trabalhadora se enfraqueceu. Junto a isso, a formação politizadora dos sócios foi sendo deixada de lado. Resultado, são  tantos sindicatos que servem apenas para manter diretores nos gabinetes, sem que sua categoria  seja defendida diante da pressão dos patrões, que fazem de tudo para evitar obrigações trabalhistas e ganhar mais lucro com a mais valia de seus trabalhadores.
 
Em tal contexto, pode ser que seja um novo  vento,  esta  arrancada da CUT regional vir a Santarém realizar estudo de formação sindical. Que é urgente não há dúvida. Se o curso for além de ensinar regras burocráticas ou de assistencialismo aos sindicalistas será um avanço. Resta saber se as direções, tanto da CUT como dos sindicatos estão preocupadas em recomeçar  o estudo da ideologia sindical, num contexto de neo liberalismo intensivo, onde a tendência dos patrões e do próprio governo  é  relaxar as conquistas dos trabalhadores no passado, afim de acelerar o crescimento econômico a todo custo. Há uma tendência hoje de levar o Brasil a se tornar a quinta maior economia do planeta, mas sacrificando ainda mais a vida dos trabalhadores. Será que a CUT está atenta para defender a classe, ou prefere tomar a atitude da avestruz? Este estudo ora acontecendo em Santarém  pode ser um avanço ou um marcar passo, caso a CUT esteja mais preocupada em atrelar as direções sindicais de Santarém a um ou outro partido político, em vista das eleições de outubro próximo. Quem saberá? Talvez os participantes do estudo  poderão dizer.

Edilberto Sena