Mostrando postagens com marcador UFOPA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador UFOPA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de maio de 2012

NOTA DE REPÚDIO À REITORIA DA UFOPA


NOTA DE REPÚDIO À REITORIA DA UFOPA

Diante dos recentes fatos ocorridos na Universidade Federal do Oeste do Pará e da nossa participação como resistência nesse processo conturbado pela maneira como foi imposta essa universidade na nossa região, lançamos aqui um alerta à necessidade de resistência contra os desmandos que nela se praticam em nome de uma falsa excelência científica.
A UFOPA já nasceu sob um signo autoritário, com a nomeação autocrática de um reitor pro tempore sem definição de prazo ou condições de permanência. O indicado, José Seixas Lourenço, tem-se revelado, pelo que percebemos, muito mais uma pessoa preocupada em manter-se no cargo, por não ter se preocupado pelo processo de eleições diretas para reitor, por exemplo, bem como um desconhecedor dos problemas sociais da nossa Região.
Enquanto a UFOPA acabou sendo formatada pelo atual reitor segundo um modelo muito mais propenso ao ôba-ôba acadêmico e ao ensino a granel, sem definir parâmetros institucionais de formação, as representações discentes e a sociedade local tentam cobrar-lhe coerência, ao que ele e seus auxiliares respondem com a ausência de diálogo, o silêncio e a cooptação de frações do movimento social, cujas adesões carecem inteiramente de clareza quanto às suas razões.
           
Seixas Lourenço: professor ou tecnocrata?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O equívoco da homenagem a Seixas Lourenço

Seixas Lourenço: mérito pra ele?

No dia 15/02/2011 o reitor-não-eleito Seixas Lourenço (UFOPA) recebeu um título de honra ao mérito de autoria do vereador Henderson Pinto.
Bem, qual a definição aproximada para honra ao mérito: título de virtude entregue à pessoas ou entidades que conseguiram o reconhecimento público, ou seja, pela sociedade, por suas atividades desenvolvidas.

Primeiro, que o vereador Henderson Pinto parece que não conhece o ensino público universitário, pois, ignora a crise que vive a UFOPA desde sua gestação contestada por grupos de universitários e professores; ignora o formato pedagógico da mais nova universidade brasileira que põe em prática um método já experimentado e abandonado pela academia norte americana no século passado e pela ditadura militar de 1964 no Brasil; o vereador ignora que 910 estudantes que passaram em 2011 pelas provas do ENEN para a UFOPA não se matricularam, num sinal de rejeição da universidade que sonharam. Dá para perceber também que sendo de sua autoria, o mesmo vereador tem a responsabilidade de dizer por que esse reitor-não-eleito merece um título dessa estirpe, sem o reconhecimento da sociedade, pelo contrário, parte da sociedade organizada rejeita o esvaziamento científico da UFOPA. Até porque o “nobre” vereador não representa a sociedade, mas os interesses do seu partido DEMOCRATAS, visto que a democracia representativa é uma falaciosa tão grande quanto esse título.

Segundo, há que se perguntar se o reitor-não-eleito, reitor tampão, merece alguma coisa, como esse título. A Câmara de Vereadores ignora que a UFOPA opta por um sistema educacional que empobrece a competência dos futuros profissionais da Amazônia, com curso de direito, por exemplo, com dois anos e meio de academia. Bem a sociedade demonstrou que a estrutura curricular da UFOPA não merece respeito, sendo que quem coordenada essa monstruosidade curricular é esse senhor, então, por extensão, não merece nada. O movimento estudantil, muitos professores e técnicos que formam a “comunidade acadêmica” reconhecem uma única coisa a respeito de Seixas Lourenço: que ele está promovendo um desserviço para a educação superior.
Sem mais comentários....

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Espaço do Leitor - Comentário

*Marlon Lopez

Parece até engraçado, mas tem quem diga coisas do tipo "A UFOPA veio para alavancar a educação na região", tento buscar provas lógicas e concretas para tentar acreditar nesse tipo de coisa, mas o que vejo e totalmente o contrario. Como estudante vestibulando vejo que a UFOPA está longe de ser expansão da educação, justo porque acabar com duas universidades federais(UFPA e UFRA) e fazer uma junção para criar somente uma (UFOPA) é desrespeito e regreção da educação, pois a UFOPA deveria ser uma nova opção, uma nova universidade, sem acabar com duas já existentes. Isso sim! Poderia ser afirmado como expansão da educação, mas o que acontece é que o governo quer diminuir custos, gastos com a educação. Outra, a UFOPA veio para formar mão de obra para grandes latifundiários, sim! Estou falando das hidrelétricas e mineradoras que estão arrombando e acabando com nossos bens naturais, e só ver a grade de cursos oferecidos, são cursos voltados para a mão-de-obra científica, ciências pesqueiras, física ambiental, etc. Ou seja, futuros profissionais que as grandes hidrelétricas e mineradoras que estão por vim irão precisar bastante, e o governo acha isso simplesmente ótimo, pois os grandes latifundiários geram lucros para o estado, então, pensão eles: "vamos formar mão-de-obra e que se danem os jovens que querem ter um bom ensino superior e um diploma com prestigio". Os novos calouros estão sendo cobaias de um experimento do governo que nem eles sabem se vai prestar ou não. É uma pena saber que a maioria das pessoas não abrem os olhos para enxerga isso.


*Marlon Lopez - 17 anos, paraense que não dispensa um bom "Açai",  estudante de ensino médio em busca de objetivos e metas na vida.
Fotografo - ?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cutucada de uma leitora anônima do blog sobre a postagem > "UFOPA: “universidade” promíscua"

Copiar um modelo de ensino de um país desenvolvido onde, talvez, as coisas funcionam direito, não quer dizer que vai acontecer o mesmo aqui na Amazônia, onde a situação é totalmente diferente, as pessoas têm consciência diferente, e as mentalidades,principalmente, são totalmente diferentes..... será mesmo que teremos o mesmo resultado?!? 

Talvez as autoridades tão usando a região, e todos nós estudantes, como cobaias. Caso não funcione, o prejuízo não será grande, e será bem mais fácil de abafar, afinal quem vai fazer alguma coisa contra tudo isso?!?
E nós aqui na Amazônia, que estamos tentando seguir um rumo e ter uma profissionalização digna de concorrer no mercado de trabalho, como ficamos?!?! Perdemos duas faculdades mais ou menos, por uma que nem mais ou menos é... 
Não se pode admitir que pessoas de outros lugares decidam o que fazer com nós daqui... começando pelo reitor que não foi nem eleito...
esse sistema é um desrespeito com a população do oeste do Pará. No entanto,muitos nem tem consciência disso, por isso que é fácil dar continuação a esse processo. 
O desastre já começou. As repescagens vão continuar até preencher todas as vagas (talvez mais umas cinco chamadas)... sem falar, que todos entram na universidade com um curso definido. Perder tempo com ciclo básico e institutos é desqualificar os profissionais em formação, afinal as cargas horárias especificas são substituidas por matérias de outros cursos.... e assim vai.
E o objetivo de diminuir o número de desistências gerará, como consequência, o contrário..... afinal, quem não consegui o curso que queria, terá que fazer todo o processo novamente, ou seja, mais tempo será perdido..... "que porra!" 
Fim a esse sistema. Eu como caloura da UFOPA, farei o possível para que essa bagunça mude, se é que isso vai ser possivel. :/ 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

UFOPA: “universidade” promíscua

Vexatório! Foi o que aconteceu com a reitoria-do-mec da mais nova-velha universidade no dia 9 de fevereiro, último dia para os 1150 candidatos aprovados (não sabemos como) pelo ENEM se habilitarem ao primeiro funil-interno, a Formação Interdisciplinar I, mas conhecido como “Ciclo Básico”. Foram apenas 269 corajosos que se habilitaram e parece que estão dispostos a enfrentar o mostrengo modelo acadêmico imposto pela reitoria-do-Haddad – “Eu acho é pouco!”.

Não foi por falta de aviso, neste caso, críticas:

Logo no início um grupo de organizações denominado “Comissão Popular para a Nova Universidade” protocolou junto ao reitor-sem-eleição Seixas Lourenço um projeto intitulado “A Universidade que queremos”, mesmo ele negando direto, afirmando que o movimento não propõe nada. Nesse projeto já havia um posicionamento contra o ENEM e contra o modelo acadêmico que até agora continuam cegos para a sua ineficiência.
Em entrevista com o Professor da USP, Dr. Ariovaldo Umbelino, o mestre dizia quanto a esse modelo, mais especificamente na junção dos cursos de História com a Geografia: “... se isso acontecer aqui é lamentável, primeiro porque essa experiência durante os governos militares já foi tentada e se chamava ‘Estudos Sociais’ (...) na realidade, não será formado nem o Historiador e nem o Geógrafo; vai ser formada uma pessoa com um monte de conhecimentos que na realidade não respondem ao estudo da Ciência. Se aqui o que vai ser constituído é uma universidade pública, vocês não podem permitir em hipótese alguma que isso ocorra (...) Estão passando pra vocês um diploma de analfabetos, de analfabetos que fizeram um curso universitário”.
Quem acompanha essa novela (diga-se de passagem, tragicomédia é uma porcaria), hão de lembrar-se das grandes palestras, que pareciam verdadeiras aulas, da Professora Vera Jacob, com seus dados estatísticos precisos sobre o Ensino Superior; do Professor Aluízio Leal, desmistificando e descascando as verdadeiras intenções nesses modelos de universidade.
No dia 09/12/2009 fora realizada uma Audiência Pública, convocada pelo Ministério Público Federal de Santarém, realizada na UEPA (Ufa! Ao menos uma universidade mais ou menos neste texto). Foi mais uma oportunidade de esclarecimento para a sociedade. Mas ficou por aí, mais um evento que o reitor-ato-discricionário não compareceu e nem vai dar às caras. Querem ver como ele não foi o culpado e sim seus subordinados?
Agora é a própria sociedade esclarecida que diz: “Eu não entro nessa não. Tu é leso?”... E mesmo chamado pela reitoria-antidemocrática, diz não, e não se habilita para servir de cobaia a um modelo antigo e retrógrado. Quantas repescagens vão precisar? Por que achar que os estudantes não têm a capacidade de escolher seu curso antes de ingressar na universidade?
Até quando os tecnocratas vindos de fora e os que já aqui se encontravam, vão admitir que estejam certos, ou melhor, quando vão admitir que estão errados. Há uma resposta, não a única: até quando os estudantes permitirem! Lembremos desses professores, na batuta do reitor-não-eleito, logo estarão dizendo que não fizeram parte do projeto de desserviço à educação superior, envergonhados da lama em que se meteram.
UFOPA, quem te conhece, não se habilita.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MODELO ACADÊMICO DA UFOPA: SUCESSO OU TRAGÉDIA?

Por Ib Sales Tapajós

Ao término do dia de ontem (09 de fevereiro de 2011), um resultado desolador incomodava (e muito!) os dirigentes da recém criada Universidade Federal do Oeste do Pará: das 1.150 vagas ofertadas no primeiro processo seletivo da instituição*, apenas 25% delas foram preenchidas na habilitação - ato que precede a matrícula numa Universidade pública.

Esse resultado pífio contrasta com as manifestações ufanistas da Administração Superior da UFOPA quando da divulgação do total de inscritos para o processo seletivo 2011: 17.585 candidatos. Um número deveras elevado, que foi utilizado como argumento para defender o “sucesso” do modelo acadêmico “inovador” implementado unilateralmente pela gestão do reitor pró-tempore José Seixas Lourenço.

Veja-se nesse sentido o discurso do Prof. Rodrigo Ramalho, pró-reitor de ensino da UFOPA: “Estamos muito felizes com esse resultado. Superou todas as nossas expectativas, pois esperávamos por volta de 10 mil inscritos. Isso mostra que a Universidade já inicia tendo boa aceitação entre os estudantes, pois esses 17.585 inscreveram-se na UFOPA e não em um curso específico” (Jornal da UFOPA, Edição de Lançamento, dezembro de 2010, página 4).

Ocorre que o pequeno número de habilitados nos força a questionar o “sucesso” da estrutura acadêmica da Universidade. Tudo bem, serão realizadas outras chamadas para habilitação, na famosa “repescagem” (ainda não se sabe quantas). É possível inclusive que as 1.150 vagas sejam preenchidas. E espero que assim o seja. No entanto, no atual momento, é fundamental haver crítica e autocrítica sobre a forma como a UFOPA vem dando seus primeiros passos. Apesar de a Reitoria do Sr. Seixas não estar efetivamente aberta ao diálogo, um debate sério precisa ser travado na comunidade acadêmica e na sociedade do oeste do Pará: o atual modelo acadêmico é realmente o que queremos e precisamos?

Ao contrário do que afirma o pró-reitor de ensino, o número de inscritos no processo seletivo não guarda correspondência com a aceitação da estrutura acadêmica da UFOPA**. Prova disso é que muitos dos inscritos sequer entendiam como se dará na prática o funcionamento desse modelo. As dúvidas são constantes inclusive entre os calouros habilitados. Não foram raros os casos de estudantes recém-aprovados que indagavam pelos corredores o que teriam de fazer para chegar ao curso que desejavam.

E muitos dos que passaram a entender o funcionamento da estrutura acadêmica da UFOPA desistiram de ingressar na instituição. Isso porque compreenderam que teriam de passar por mais dois processos de disputa de vagas dentro da própria Universidade para poder chegar ao curso almejado.

Para ser mais claro: se o candidato X é aprovado na UFOPA e no mesmo período consegue bolsa integral numa instituição privada através do PROUNI, ele tenderá a optar por esta última, uma vez que, na UFOPA, a vaga no curso almejado não estaria garantida. O mesmo raciocínio é perfeitamente cabível para o estudante que obteve sucesso no processo seletivo da UFOPA e no de outra universidade, federal ou estadual.

E qual o motivo dessa “fuga”? Medo do “novo”? Com certeza não. A causa central é a competição dentro da Universidade. O estudante que deseja ingressar no ensino superior precisa de um grande período de preparação, tanto para os vestibulares quanto para o ENEM. Período que, via de regra, é desgastante, estressante e, para alguns, até traumático. O grande problema é que na UFOPA há um “vestibular” prolongado, que se dá na passagem do CFI para o instituto e na passagem deste para o curso de graduação. Nem todos estão dispostos a passar por isso novamente. Por isso a UFOPA é a última opção de boa parte dos vestibulandos.

Diante dessa realidade inquestionável, os dirigentes da nossa Universidade do Oeste insistem no discurso da “meritocracia”, afirmando que a competição é importante e saudável. Pode até ser, mas na lógica do mercado, e não na lógica de uma universidade pública federal. Nesta, o objetivo central é a produção e difusão de um conhecimento crítico e voltado para o atendimento das necessidades da população. Os acadêmicos têm de ser colegas, e não adversários; precisam caminhar juntos na construção do conhecimento, e não ficar disputando quem vai tirar a melhor nota – infelizmente é isto que vai ocorrer com o atual modelo acadêmico-curricular. A lógica “meritocrática” aplicada na Universidade terá, indubitavelmente, um efeito catastrófico.

Outro fator que contribuiu para a não-habilitação de muitos candidatos aprovados é a ausência de uma política séria de assistência estudantil. Muitos dos aprovados são de outras cidades do Pará e, para estudarem na UFOPA, precisariam de recursos que hoje não são disponibilizados pela Universidade. Não temos um Restaurante Universitário (RU) e nem uma moradia estudantil (Casa do Estudante). Dessa forma, o estudante proveniente de outro município, cuja família não possuir renda considerável para mantê-lo em Santarém, fica impossibilitado de desenvolver seus estudos na UFOPA.

Tivemos conhecimento do caso de alguns estudantes que, ao serem aprovados na UFOPA, vieram para Santarém acreditando que a Universidade lhes daria um suporte material mínimo. Após conhecerem a realidade, acabaram desistindo e voltando para suas cidades de origem. Essa situação é triste e deveria receber atenção especial dos dirigentes da Universidade. Entretanto, a atual concepção de expansão do ensino superior adotada pelo Governo Federal, e defendida pela Reitoria da UFOPA, privilegia a quantidade de vagas criadas, em detrimento da qualidade. Em outras palavras, a expansão acontece de qualquer jeito, sem se garantir a estrutura e os recursos necessários para as vagas ofertadas.

Diante de todo esse cenário, a conclusão a que se chega é que muita coisa precisa ser repensada na UFOPA. Em especial a estrutura acadêmica, que tem de ser debatida democraticamente com a comunidade acadêmica e com a sociedade em geral. O atual sistema autocrático de gestão da Universidade, em que o Reitor decide sobre tudo e sobre todos, dá sinais claros de falência e precisa urgentemente ser substituído por um sistema democrático e participativo, onde todos tenham voz e vez e possam contribuir na definição dos rumos da instituição.

Caso contrário, estaremos desperdiçando o enorme potencial da Universidade Federal do Oeste do Pará. E é muito fácil prever as conseqüências negativas disso, já que a UFOPA é o principal projeto de desenvolvimento social em execução na região nos últimos anos. Mas para que ela efetivamente cumpra seu papel protagonista na região, muita coisa precisa mudar. Eis o nosso grande desafio: (re) construir uma Universidade no interior da Amazônia.

Ib Sales Tapajós é acadêmico de Direito da UFOPA, militante do coletivo estudantil Romper o Dia! e coordenador geral da União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém (UES).

* Além das 1150 vagas ofertadas no processo seletivo 2011, que utilizou as notas do ENEM, foram reservadas 50 vagas para candidatos indígenas, a serem preenchidas através de processo seletivo especial.

** Na estrutura acadêmica da UFOPA, o estudante ingressa inicialmente no ciclo de formação interdisciplinar, com disciplinas comuns a todos os 1.200 alunos; posteriormente, segue para algum instituto; e por fim chega num curso de graduação. É importante destacar que haverá uma competição interna para se passar de uma fase à outra: os acadêmicos serão classificados de acordo com o índice de desempenho acadêmico (IDA) que atingirem.