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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Na audiência da cargill quem manda é a cargill!


A FDA tentou entrar na noite anterior para colocar uma faixa (lógico contra a cargill) mas foi barrada por policiais, pois não tínhamos a autorização da cargill.
No dia da audiência nosso carro não pode entrar pois não tínhamos a tal autorização.
Na audiência da cargill só tinha faixas favoráveis aquela empresa criminosa. Também, eles não davam permissão para nós colocamos. Afinal, na audência da cargill quem manda é a cargill e nós não tinhamos a autorização da cargill!
Mesmo depois de conseguir uma autorização a polícia não nos deixou colocar nosso mega-ultra-grande poderoso carro som após a barreira feito pela PM 100 metros do local da audiência da cargill.
Vejm a autorização da cargill para entrar na audiencia da cargill! >>>>
Ai voces podem perguntar: Mas e o governo do Estado do Pará, não deve coordenar a audiência?
Bem, isso eu não sei, mas na audiência da cargill quem manda é a cargill.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

MULTINACIONAL CARGILL NA BERLINDA

O relatório de impacto ambiental, RIMA sobre o porto graneleiro da empresa Cargill, não convenceu alguns analistas. A audiência pública de ontem em Santarém, bastante concorrida, com forte aparato policial e seguranças, criou fatos novos, que pode levar à paralisação e até retirada do porto da Cargill de Santarém.
O Ministério Público Estadual, ao detectar sintomas  de erros no EIA RIMA, garante o seguinte: “vai determinar abertura de inquérito policial para investigar a veracidade dos dados do Eia Rima do terminal de grãos da Cargill em Santarém. Procuradores dos dois ministérios, (federal e estadual) têm fortes suspeitas de que informações contidas nos estudos (de impactos) não são verdadeiras”.
A situação da empresa se complicou, porque as explicações de técnicos do MPE apresentadas na audiência pública, criaram  um clima bastante constrangedor, tanto para a empresa que produziu o Eia Rima, como para a Cargill. Afinal, a multinacional, que declarou ter grandes empreendimentos em 45 países e vários estados brasileiros, e que trabalha de acordo com os princípios das leis brasileiras, além de se preocupar com o meio ambiente e trazer desenvolvimento para a região, agora não conseguiu convencer o plenário da audiência pública de que está tudo correto em seus procedimentos.
O MPE levanta suspeita de fraude no relatório de impactos ambientais. Agora, além do inquérito policial a ser determinado pelo ministério, aguarda-se o posicionamento da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, responsável pela avaliação final do EIA RIMA. Se realmente houve manipulação de dados no estudo de impactos, não deve ser concedida qualquer licença ao funcionamento do porto da Cargill em Santarém. Se isto vier acontecer, prejudica todos os beneficiados da empresa, mas protege a população da cidade de impactos sociais ainda maiores, de hoje e do futuro próximo  quando, segundo informação da própria Cargill, centenas de caminhões carretas estarão chegando à cidade carregadas de soja, que além de causar graves transtornos ao trânsito da cidade, provocarão aumento de prostituição, doenças venéreas, drogas e outros conflitos sociais.
Pe. Edilberto Sena

Eia-Rima da Cargill pode virar inquérito policial.

O MP (Ministério Público) do Pará informou ao Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira, 14, que vai determinar a abertura de inquérito policial para investigar a veracidade dos dados do Eia-Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental) do terminal de grãos da Cargill, em Santarém.

Promotores e procuradores que participaram hoje da audiência pública realizada no município, para discutir o documento, têm fortes suspeitas de que informações contidas nos estudos não são verdadeiras.

Caso confirmada a falsidade dos dados, o inquérito policial vai apurar as responsabilidades da Cargill e da empresa que realizou os estudos.

Durante a audiência pública, integrantes do MPF e do MPE relataram a representantes da Secretaria estadual de Meio Ambiente (Sema) as irregularidades encontradas e agora aguardam um posicionamento da secretaria sobre o caso.

Para o MPF, se realmente houve manipulação dos dados não deve ser concedida qualquer licença ao projeto da Cargill.

Procuradores da República que participaram da audiência pública em Santarém também anunciaram que consideram necessária a realização de novas audiências públicas sobre o tema.

Fonte: Lingua Ferina
Link: Aqui

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Retirada definitiva do porto da Cargill de Santarém, já!

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Nós membros da FRENTE EM DEFESA DA AMAZÔNIA, junto com organizações da sociedade civil organizada do município de Santarém e do Oeste do Pará, conscientes que defendemos a dignidade e o futuro dos povos e meio ambiente da região, hoje afetados  pela presença do porto da multinacional Cargill, estamos propondo uma solução racional e dentro das leis brasileiras em defesa do patrimônio cultural, social e ambiental de Santarém e toda a região Oeste do Pará.
Proposta – retirada definitiva do porto da Cargill de Santarém por causa dos danos irreversíveis causados ao povo e meio ambiente da região 
Motivos –
a)      A multinacional violou a lei brasileira que exige o Estudo de Impacto ambiental antes do início de qualquer obra deste vulto. Prova disto é que o processo judicial que se arrasta já por dez anos, chegou já ao Superior Tribunal de Justiça, sendo lá condenada por três desembargadores em 2006, que a obrigaram a fazer o EIA RIMA , embora estranhamente permitindo que ela continuasse a operar o porto ilegal. O fato de a antiga SECTAM ter dado uma licença provisória não a eximiu do crime, tanto que foi condenada já no ano 2.000 pela Justiça Federal em Santarém e no ano 2006, novamente condenada pelo Superior Tribunal de Justiça em Brasília. A empresa continua sub judice e depende do julgamento desta Secretaria.
b)      Os nobres procuradores dos Ministérios públicos Federal nas pessoas dos drs. Felício Pontes e Claudio Dias, e Estadual, Dr. Raimundo Moraes, provam as  graves incorreções do atual segundo EIA RIMA produzido pela empresa para tentar se isentar dos erros intencionais do início da obra. Lembrando  que já no ano 1999, quando a multinacional iniciou o projeto de destruição da praia da Vera Paz, nós da sociedade civil tomamos a iniciativa de denunciar o crime ao Ministério Público Federal, que imediatamente abriu processo judicial para a paralisação da obra do referido porto. Portanto, a empresa não pode alegar inocência, nem a antiga SECTAM que sabia da existência da lei do EIA RIMA.
c)       Os plantadores de soja que só vieram para Santarém e devastaram vastas  áreas da floresta, além de absorverem várias áreas da agricultura familiar,  chegando ao ponto do desaparecimento de comunidades entre as quais  Tracuá, e  Jenipapo, hoje campos de soja e que são  exemplos de prejuízos à  agricultura familiar na região.  Afirma o presidente do Sindicato de trabalhadores e trabalhadoras de Santarém , Raimundo Lima Mesquita em seu estudo do Rima da Cargill – “Não bastasse a tentativa de ludibriar o leitor do estudo, o empreendedor busca deliberadamente caracterizar a agricultura familiar como modo de produção ineficiente  fadado a ser substituído pela agricultura empresarial e mecanizada; desconsiderando a importância da produção familiar para a estabilidade social e econômica da região”.
 Os dados do RIMA  novo da Cargill não correspondem à estatística do IBGE, conforme demonstra o  presidente do STTR em seu estudo do Rima – “ Embora o empreendedor reconheça (capítulo 06/pág. 476 e capítulo 07/pág. 59) que os dados do IBGE demonstrem uma queda na população rural dos municípios de Belterra e Santarém; o mesmo apresenta as tabelas 7.2.22 – 1: evolução da população total, urbana e rural no município de Santarém e Belterra”. Pois bem, os plantadores de soja, hoje se apresentam como vítimas de nós santarenos, quando na realidade, são vítimas da multinacional Cargill que os atraiu para cá. Sem o porto da Cargill eles não viriam plantar soja na região por não ter escoamento.  Vítimas do cultivo de soja na região somos nós filhos da região, por causa do desmatamento e intenso uso de agrotóxicos no solo e a monocultura de grãos que não servem ao povo da região, pois tudo vai para o exterior.
d)      O porto da Cargill, como outros portos que existem, como das Docas do Pará e outros que já anunciam chegada para o mesmo local na área da Vera Paz são altamente prejudiciais à população urbana de Santarém. No ano passado, mesmo coma rodovia mal asfaltada, dezenas de caminhões carretas chegaram a Santarém para desembarcar soja no armazém da Cargill. Foi um transtorno ao trânsito e um prenúncio das desgraças que virão. Os caminhões ficaram parados ao longo da avenida  Cuiabá e além do transtorno ao trânsito, o estímulo à prostituição, doenças  venéreas e conflitos sociais por conta de drogas e bebidas alcoólicas. Agora imagine nos próximos anos, com a rodovia toda asfaltada, 200 e 500 carretas paradas ao longo da avenida esperando para descarregar soja no armazém da Cargill. Será um caos à semelhança
do que ocorre em Paranaguá e Santos. Isso, dentro da cidade de Santarém. Não se pode admitir tal absurdo, apenas porque o fato está consumado e o porto deve continuar onde está.
e)      O argumento do fato consumado não pode ser aceito por um governo popular que se diz terra de direitos. Crime é crime e o fato consumado não pode ser esquecido apenas com algumas mitigações propostas pela empresa. Se uma pessoa assassina a mãe do secretário de meio Ambiente do Pará, pelo fato consumado, não se justifica que o criminoso indenize a família da vítima assassinada. Ele deve ser julgado e pagar caro pelo crime. Assim também a empresa CARGILL, ela cometeu um grave crime contra uma cidade, um belo rio, uma população e contra a constituição brasileira. A única compensação é ela retirar o porto de onde está e pagar grande multa pelos danos causados à cidade, à praia da Vera Paz, à região Oeste do Pará.
f)       Então, exigimos a retirada do porto da Cargill por estar ilegal e ser causador de danos sociais, ambientais irreversíveis. E que seus armazéns sejam destinados ao município como compensação pelos danos causados à área da Vera Paz e ao povo de Santarém. Os armazéns podem servir para um centro cultural da cidade. Em todo caso, que o porto graneleiro e todos os outros que por ventura, possam querer se instalar na região primeiro seja consultada a sociedade organizada e todos os cuidados com o meio ambiente e a segurança da sociedade regional sejam  respeitados.

Pela FRENTE EM DEFESA DA AMAZÔNIA,

terça-feira, 13 de julho de 2010

Contra-Audiência Pública da Cargil Agrícola S/A em Santarém

A Frente em Defesa da Amazônia vem, através deste, convocar todas as entidades, movimentos populares e pessoas em geral que se indignam com os crimes cometidos contra o povo e a floresta para participarem da Contra-Audiência à empresa estrangeira Cargiil que, mais uma vez, quer enganar a população santarena, realizando uma Audiência Pública de Mentira para apresentação do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental, o qual deveria, pela Constituição, ser apresentado antes da construção de seu porto.

Temos o entendimento de que as Audiências Públicas são apenas um mode de referendar os projetos já decididos, onde se dará a impressão de democracia participativa, diante das exigências legais. Esta afirmação se dá pelas experiências de outras audiências públicas que se apresentaram como espetáculo circense, onde um grupo cooptado pela empresa e pelos grandes interesses, se manifestam favoráveis ao porto e outro grupo se manifestará contra, numa luta maniqueista, onde as cartas foram marcadas pelos órgãos governamentais e interesses financeiros.

Quem participar dessa Audiência estará assinando a favor da Cargill.

Por isso, convidamos toda a sociedade para participarem da Contra-Audiência, na qual estaremos protestando contra a invasão ilegal da Cargil e denunciando a mentira da Audiência Pública. Legalizar essa empresa estrangeira é abrir precedentes para que outras empresas com mesmos históricos de crimes avançem à nossa cidade e nossa região.

Participe! dia 14 de julho, a partir das 8h, em frente ao Iate Clube de Santarém.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Carta Aberta - CPT

A Cargill S.A. volta a ser tema regional e nacional no momento em que se esforça para garantir do governo do Estado do Pará uma licença para funcionar, coisa que deveria ter requerida antes da construção de um porto que atende exclusivamente seus interesses internacionais.

A CPT e movimentos populares locais têm sido incansáveis na luta contra todo o processo de construção de um porto que incentivou o plantio do monocultivo de soja na região do Oeste do Pará. Foram inúmeras denúncias e manifestações contra essa empresa. Pois, a Cargill não é responsável apenas por ter destruído a praia da Vera Paz, enterrado um Sitio Arqueológico, mudado o tráfego dos barcos comunitários e estar poluindo o Rio Tapajós, mas também é responsável pela diminuição na produção da agricultura familiar, pela grilagem de terras, pelo aumento no desmatamento em nossa região, expulsão das famílias tradicionais, queima de casas de comunitários, violência contra lideranças e ameaças a sindicalistas e trabalhadores.

Assistimos hoje um script teatral em que a Cargill tentar enganar autoridades e sociedade civil com um Relatório de Impactos Ambientais – RIMA, para conseguir sua licença de funcionamento.

Porém, assim como durante todos estes anos não recuamos em nossa postura contrária a instalação do porto ilegal que a Cargill construiu, repudiaremos qualquer tentativa nefasta de legalizar esse porto que destrói e ameaça vidas.

A Cargill atua de forma sorrateira em nossa região. A partir do seu grande poderio econômico interfere na vida das pessoas aliciando com dinheiro, compras de fardamentos, patrocinando eventos, pagando pessoas para visitar alunos do ensino fundamental e inculcar uma idéia positiva sobre a mesma, fazendo acordo (moratória) com ongues internacionais. Inclusive estas ongues prestam um excelente serviço à empresa, pois à medida que ganha a confiançados movimentos, se definem como protagonista da luta e desarticulam as possíveis ações consistentes dos movimentos populares locais. Além de subsidiarem a empresa.

Não somos ingênuos para acreditar que em uma audiência pública a Cargill não terá seu pedido de licença aceito pelo órgão ambiental. Afinal as audiências têm se tornado mero momento simbólico de um processo legal. O governo do Estado do Pará foi um dos primeiros a permitir, mesmo ilegalmente, que a Cargill iniciasse a construção do porto. Portanto, pode perfeitamente facilitar este processo.

Porém, fica nossa expectativa que possamos junto com o Ministério Público Federal e os Movimentos Populares local demonstrar mais uma vez todos os elementos negativos provocados com a chegada da Cargill, e que o governo do Estado, ao dar ou não a licença, não seja omisso aos documentos, muito menos conivente com esta empresa que não se cansa em desrespeitar as leis e o povo da Amazônia.

Santarém, 23 de junho de 2010.

Fonte: CPT

segunda-feira, 8 de março de 2010

A MORATÓRIA DA SOJA, UMA FANTAZIA PARA INGÊNUOS

EDITORIAL DE 05.03.2010
Quando a multinacional Cargill se viu acuada com as críticas e denúncias por causa dos prejuízos sociais e ambientais na região Oeste do Pará, conseqüência de seu porto graneleiro na cidade de Santarém, a empresa apelou ao diálogo de conciliação. Aliás, diga-se de passagem, este porto em Santarém ainda está sub judice, portanto a Cargill não está totalmente legalizada e ainda poderá ser condenada a retirar o porto construído ilegalmente em frente a cidade de Santarém.

Pois bem, a Associação nacional de cultivadores e compradores de grãos, a ABIOVE convidou algumas ONGs ambientalistas e movimentos sociais da região santarena  para uma tentativa de se construir uma chamada Moratória da soja. Pela tal moratória as empresas só comprariam soja de produtores que não mais derrubassem floresta. Isto foi em 2006.

O movimento social popular FRENTE EM DEFESA DA AMAZÔNIA, FDA participou de três encontros de diálogo e logo percebeu que a proposta de moratória era apenas um empurra com a barriga a situação que estava incomodando as sócias da Abiove. Era um truque para iludir os desavisados e os ingênuos. Isto porque a proposta da Abiove era de se concordar numa moratória de apenas dois anos, iniciando em julho de 2007. A FDA propunha, se era para ser uma moratória séria, um espaço de 10 anos, iniciando em dezembro de 2003. A proposta do movimento popular nativo sabia que foi a partir de 2003 que aumentou a compra de lotes da agricultura familiar e derrubada de floresta pelos sojeiros. Os membros do encontro, representantes da BUNGE, CARGILL, MAGGI entre outras, recusaram a proposta imediatamente.
As ONGs se calaram e depois da terceira reunião o movimento popular santareno rompeu o diálogo por perceber que era uma farsa a proposta de moratória de dois anos. Não deu outra, os que ficaram nos encontros fecharam acordo  e começou a tal moratória em julho de 2007. Em julho de 2009 foi prolongada por mais um ano, por não ter dado certo o prazo original. Agora, o próprio líder do Greenpeace, uma das ONGs que aceitou o acordo da Abiove, reconhece que continuou o desmatamento em áreas de soja em Santarém e mais ainda no Mato Grosso. Isto é, a tal moratória de três anos foi só conversa para inglês e europeu verem. Se diminuiu  um pouco a produção de soja na região Oeste do Pará, nesses últimos três anos,  foi por outras causas, como a crise financeira mundial, com rebaixamento do preço internacional que levou vários sojeiros até a retornarem a seus estados de origem.
Mas a desgraça do desmatamento já ficou na região. Tinha razão a Frente em defesa da Amazônia ao romper com o pseudo diálogo. Hoje a Abiove e a Cargill em particular lançam propaganda de serem empresas sérias que respeitam o meio ambiente. A Cargill está com uma campanha em Santarém de induzir crianças de escolas e seus professores a acreditarem que ela só faz o bem, distribui merenda gorda e aponta “grandes” benefícios que oferece à sociedade santarena.  E diz mais, que é uma empresa totalmente legalizada, mesmo estando vivo um processo contra o porto.Acredite quem quiser.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Relatório da Cargill tem falhas, diz Sema

Depois de analisar o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do terminal graneleiro da Cargill em Santarém, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), a exemplo do que já havia feito o Ministério Público Federal (MPF), apontou falhas no documento e o classificou como incompleto.

Image Por conta disso, o documento foi devolvido à empresa para que seja feita a devida complementação. E, embora a multinacional alegue que as “demandas” apresentadas pela Sema não são de natureza grave, parte do estudo terá que ser revisto e complementado, pois apresenta inconsistência.
Para a organização não governamental Frente de Defesa da Amazônia, esse posicionamento da Sema já era esperado pois, no ano passado, o Ministério Público Federal (MPF), ao analisar o mesmo EIA/RIMA, encontrou uma série de falhas e considerou o documento como inconsistente e vago. “Quando os nossos técnicos foram chamados para fazer a análise do EIA/RIMA foi detectado, aqui mesmo em Santarém, que o estudo era muito precário, imperfeito e incompleto”, declarou o padre Edilberto Sena, da Frente de Defesa da Amazônia. Ele observa que além da necessidade de se fazer novos estudos para complementar o que já foi feito, é preciso realizar audiências públicas para que a sociedade local e o MPF decidam se a Cargill deve ou não continuar com seu terminal graneleiro em Santarém.
O religioso também reafirmou que a Cargill está funcionando, irregularmente, em Santarém e que a multinacional tem se valido do dinheiro e dos bons advogados que possui para manter seu terminal em operação. “A Cargill está funcionando de forma ilegal dentro do município de Santarém”, declarou Edilberto.

MPF: Inconsistente e vago. Foi assim que a equipe técnica do Ministério Público Federal (MPF) classificou, no final do ano passado, o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental apresentado pela Cargill. “Deveria ser mais esclarecedor, é demasiadamente sintético, não foram avaliados os impactos provocados pelo aumento da demanda por transporte hidroviário”, são algumas das observações contidas no parecer emitido pela equipe de peritos do MPF. De acordo com a Procuradoria da República em Santarém, a Cargill só apresentou o estudo porque foi obrigada pela justiça, após quase sete anos de batalha judicial. O parecer é o resultado do acompanhamento que a Procuradoria da República vem fazendo ao caso desde a instalação da Cargill no município de Santarém, no ano de 2000. Naquela ocasião, o MPF foi autor da ação judicial que exigiu a apresentação do EIA/RIMA pela empresa, o que não foi cumprido, muito embora a lei brasileira determine que esse estudo seja prévio, isto é, produzido antes da execução da obra. Ressalta o MPF que mesmo na ilegalidade, a empresa continuou as obras, inclusive com a concordância do governo paraense da época.

Segundo a Procuradoria da República em Santarém, o terminal graneleiro foi inaugurado em 2003, sem nenhum estudo ambiental. Por conta disso, no ano de 2007, a justiça embargou o empreendimento durante um mês. Porém, valendo-se de artifícios jurídicos e alegando prejuízo milionário, a empresa conseguiu uma liminar e o terminal voltou a operar.

Somente agora, depois de perder em todas as instâncias judiciais, a multinacional fez o EIA/RTIMA, porém, conforme parecer de peritos do MPF e agora da Sema, esses estudos são incompletos e vagos. O parecer do Ministério Público Federal e o resultado da análise feita pela Sema obrigaram a multinacional a iniciar um processo de complementação dos estudos.

CARGILL: Apesar de já ter perdido em quase todas as instâncias da justiça, a Cargill garante que não cometeu nenhuma ilegalidade e que as demandas apresentadas pela Sema serão perfeitamente corrigidas. De acordo com o diretor de Assuntos Corporativos da Cargill, Afonso Champi, a Sema pediu apenas uma complementação dos estudos, com base em aspectos técnicos. “Nós vamos cumprir, religiosamente, todas as demandas colocadas pela Sema”, afirmou Champi. Quanto à realização das audiências públicas, Afonso declarou que a responsabilidade de pedir a realização desses eventos é da Sema que deve fazê-lo assim que o EIA/RIMA estiver completo.

Sobre o fato do estudo levar em consideração apenas a área onde está instalado o terminal, Afonso Champi declarou que o estudo abrange o município de Santarém e o de Belterra, o que para a empresa é bastante.

Fonte: Gazeta de Santarém
Link: http://www.gazetadesantarem.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=1360&Itemid=26

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O campo da Vera Paz é nosso!

Há algum tempo venho acompanhando notícias sobre as pretensões da Cargill em se apropriar de mais um espaço público (e como conseqüência expropriar os cidadãos santarenos) para usá-lo única e exclusivamente em favor de seus interesses financeiros e comerciais. Desta vez o espaço público se trata do campo da Vera Paz e o uso privado e expropriador é para servir de estacionamento aos caminhões de soja que vão descarregar em seu porto ilegal.
Parece que hoje tiveram início os trabalhos de expropriação. Três tratores derrubaram as traves e começaram a “limpar” a área, apoiados por alguns sujeitos travestidos de cientistas para justificar a expropriação como se fosse parte de um trabalho de alguma geoenrolação e, como não podia faltar, a presença da Polícia Militar (filha herdeira das atrocidades da época da ditadura no Brasil) para manter a “ordem” que pode ser interpretada como “nada pode atrapalhar o destino da Amazônia que é ter toda sua riqueza roubada pelo poder econômico internacional”.
Amanhã os grandes meios de comunicação da cidade, com raras exceções, devem começar a reproduzir o discurso do desenvolvimento econômico: “o campo da Vera Paz era um reduto de marginalidade”, e ainda “Santarém tem muitos campos de futebol espalhados pela cidade e um não fará falta”, ou então “o uso do campo da Vera Paz pela Cargill vai gerar empregos e um retorno econômico para a cidade”, outra coisa que ouviremos poderá ser do tipo “uma meia dúzia de pessoas jogavam bola ou usavam o campo da Vera Paz para lazer”.
Pois bem, proponho aqui que tomemos este discurso do desenvolvimento econômico como verdade absoluta e irrefutável e o apliquemos a todos os espaços públicos de Santarém. Para isso tomarei a Igreja Matriz e a orla da cidade, não como exemplos de como se desenrolaria as justificativas em prol da expropriação destes espaços pelo poder econômico.
Vejamos a Igreja Matriz. Um espaço amplo em pleno centro da cidade que representa um verdadeiro desperdício do ponto de vista do aproveitamento econômico. Afinal de contas aquele lugar poderia ser demolido e em seu lugar construído uma grande empresa qualquer, ou talvez um shopping center. Tem tanta Igreja em Santarém que não ia fazer falta a demolição de uma apenas. E mais, quantas pessoas freqüentam a Igreja da Matriz? Uma minoria se comparada ao total de Igrejas na cidade (incluo aqui não apenas as paróquias da Igreja Católica, mas também todas Igrejas Protestantes existentes na cidade). E a maior parte dos católicos nem são praticantes mesmo. Não tem comparação o retorno econômico com a geração de vários empregos por uma grande empresa no lugar de meia dúzia de funcionários da Diocese.
E a orla da cidade? Imaginem se tudo aquilo fosse abaixo para dar lugar a grandes empreendimentos estaleiros? Que maravilha!! Muito mais empregos com carteira assinada do que o mísero número de pipoqueiros e vendedores ambulantes que circulavam por lá hoje, sem falar nos “trecos” vendidos por hippies sujos e mal encarados. E nem é um lugar tão freqüentado, pois é só lembrar que a maior parte do tempo ali fica deserto, afinal ninguém agüenta a orla durante o sol escaldante durante o dia e o aglomerado de pessoas é só durante a primeira metade da noite e aos finais de semana. Com lugares como Alter-do-Chão, praça São Sebastião, praça São Cristovão e outras por aí ninguém ia sentir falta do fim de um único espaço de lazer na cidade. A diversão e o lazer continuariam, apenas mudariam de endereço.
Se você concorda que o desenvolvimento de uma cidade se expressa, única e exclusivamente, pelos índices de produção econômica, geração de empregos e circulação de renda, então sorria. Amanhã não faltará Tapajós, Ponta Negras e Santaréns com seus apresentadores, radialistas e repórteres para justificar que o fim do campo da Vera Paz é em prol do desenvolvimento da cidade. Então faça sua parte e reproduza o discurso do desenvolvimento econômico e colabore para sua expansão por todos os espaços públicos de Santarém. Que acabem com a Igreja Matriz, com a orla, com a praça São Sebastião e todos os outros espaços públicos santarenos e que venham os grandes empreendimentos econômicos em seus lugares.
Mas se você discorda de tudo o que está nos três parágrafos anteriores e sente um desconforto inexplicável em ver um espaço público de lazer ser apropriado para fins particulares por uma empresa que já expropriou dos santarenos a praia da Vera Paz, então fica aqui o convite a continuar a ler as próximas linhas e construirmos uma reflexão sobre o valor, impossível de ser precificado e quantificado monetariamente, que tem uma coisa chamada patrimônio histórico e cultural.
A Igreja Matriz é um espaço público onde pelo menos uma vez na vida um santareno já esteve e viveu momentos marcantes o suficiente para não conseguir olhá-la com indiferença como se fosse apenas mais uma Igreja. Independente de opção religiosa, alguma vez na vida, todos paramos para contemplá-la enquanto prédio histórico e imaginar como teria sido a construção de algo tão grandioso em tempos tão remotos. A orla da cidade foi, é e será para todos santarenos o espaço público onde teremos a impressão de que o tempo pára quando apreciamos o pôr do sol, apreciamos os pescadores jogarem suas tarrafas, o movimento das águas do Tapajós encontrando o Amazonas.
A experiência pessoal e prazerosa que temos em espaços públicos como a Igreja Matriz e a orla da cidade não tem espaço na idéia de desenvolvimento como crescimento econômico. Estes espaços públicos estão ligados à própria identidade dos santarenos, pois diversas vezes ouvimos expressões do tipo “Santarém a cidade de Nossa Senhora da Conceição” ou “Santarém do encontro das águas do Tapajós e Amazonas”. O patrimônio histórico e cultural de uma comunidade lhe proporciona experiências de bem-estar e a auto-estima (orgulho enquanto parte desta comunidade) impossível de ser substituída por um empreendimento econômico.
O campo da Vera Paz faz parte do patrimônio histórico e cultural de Santarém. Se não é usado por todos (ou pela maioria) já foi, ao menos alguma vez na vida de cada santareno, um espaço de lazer e convivência social, que o digam os moradores do bairro Laguinho e aqueles que conheceram a praia da Vera Paz. Se não é o único campo da cidade é aquele de maior fama entre os campeonatos de peladeiros de Santarém. Se a sua presença no cotidiano como espaço disponível para a convivência social não é suficiente para ser notada, a idéia de sua eterna ausência é suficiente para ser sentida como inconcebível.
O campo da Vera Paz enquanto espaço público de lazer e convivência social faz parte do patrimônio histórico e social de Santarém e, por isto, não está disponível como mercadoria a ser vendida ao poder econômico internacional. O espaço público não tem preço, nada pagará a sua apropriação individual, arbitrária e gananciosa como já fez a mesma Cargill com a finada praia da Vera Paz. O campo da Vera Paz é nosso e a Cargill que vá construir seu estacionamento na ....!
Frente em Defesa da Amazônia

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Estudo de Impacto Ambiental do Porto da Cargill em Santarém está incompleto.

Porto da Cargill em Santarem (PA).

Porto da Cargill em Santarem (PA).

Santarém, Brasil — Desde setembro à espera de uma avaliação, Secretaria de Meio Ambiente divulga só agora que EIA precisa de complementação

Dez meses após ter sido apresentado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Sema), o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) referente ao Porto Graneleiro da Cargill em Santarém foi devolvido para complementações. De acordo com o Departamento de Controle e Qualidade Ambiental, a secretaria não consegue dar um parecer conclusivo porque faltam informações.


Na avaliação da SEMA, a área de influência delimitada pelo EIA está incompleta e limita a identificação dos impactos e das medidas de mitigação. Essa área precisa ser redimensionada para incluir tanto os municípios cuja produção de soja é escoada pelo porto quanto aqueles que, embora não usem o porto, sofrem influência da malha viária de escoamento do produto. O pedido de complementação prevê ainda que a discussão deva considerar o zoneamento ecológico-econômico (ZEE) do oeste do Pará, aprovado por lei em janeiro desse ano.


O prazo para entrega dos EIA com as modificações vence em novembro. Após análise e publicação, as audiências públicas serão agendadas conforme previsto em lei. “Embora o porto funcione normalmente, a discussão sobre os impactos e o passivo relacionados ao empreendimento está parada. Essa discussão é importante porque a mobilização social em torno do tema da soja e do porto é um marco para Santarém. As comunidades aguardam essa discussão e querem participar”, disse Raquel Carvalho da Campanha da Amazônia do Greenpeace.


Enquanto isso, em Santarém, um novo episódio envolve o porto. Há três semanas, a interdição de um dos lotes da área do porto, onde será construído um estacionamento, e atualmente é utilizado pela comunidade do entorno como área de lazer, gerou protesto e um abaixo-assinado. A área foi bloqueada pela Companhia das Docas do Pará que, autorizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), realizará o salvamento de artefatos arqueológicos no local.


A Cargill, uma das principais empresas comercializadoras de grão e com sede nos EUA, construiu e colocou em operação um terminal graneleiro no rio Tapajós sem elaborar estudos de impacto ambiental, obrigatórios a qualquer atividade econômica de maior envergadura.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Projeto da CDP e Cargill revolta moradores do Laguinho

Por: Manoel Cardoso

Moradores do bairro do Laguinho, localizado na área portuária de Santarém, afirmam que estão preocupados com a construção de um estacionamento por parte da Companhia Docas do Pará (CDP) e da empresa multinacional Cargill, na área da antiga Vera Paz. Do projeto, consta a construção de um estacionamento da concessionária Cargill na área que seria destinada a implantação de uma reserva arqueológica.

A presidente da Associação de Moradores do Bairro do Laguinho (Ambal), Lucélia Pimentel, explica que em uma reunião que aconteceu terça-feira última e que contou com a presença de dois diretores da CDP de Belém e o gerente da Companhia em Santarém, Celso Lima, os representantes da empresa disseram que há apenas uma previsão de construção na área 4A dos lotes. Ela destaca que todo o terreno da CDP já está loteado, onde os representantes da Companhia chamam por número, como a área 4ª, situada entre o prédio da Cargill e o Campo da Vera Paz. Nela, será construído um silo de armazenagem de grãos.

“Na área 4B que é o Campo da Vera Paz, eles falaram que não será construído nada, mas o lote é da concessionária Cargill, onde a empresa vai fazer lá o que quiser como um estacionamento ou outro silo”, dispara a líder comunitária.

Segundo Lucélia Pimentel, a principal reivindicação da Ambal durante a reunião ficou por conta da passagem do campo da Vera Paz para o domínio dos moradores do Laguinho, onde pessoas que utilizam a arena para atividades esportivas também questionam a intenção da Cargill e da CDP de transformar a área em um estacionamento. Para ela, a área se consolida como um lugar de uso comum para todos os moradores do Laguinho, onde o Campeonato da Vera Paz acontece há cerca de 26 anos no local, que também serve para a realização de atividades de educação física de alunos do Colégio Pedro Álvares Cabral.

“A comunidade também utiliza para eventos beneficentes e, durante a nossa gestão não houve nenhum contato por parte da CDP, Cargill ou Prefeitura relacionada aos projetos que serão instalados no Campo da Vera Paz”, critica Lucélia, denunciando que depois que acontecer o salvamento do sitio arqueológico do Campo da Vera Paz, a área será entregue à concessionária Cargill, que detém toda a parte documental do lote.

“Se tem que haver o salvamento do nosso sítio arqueológico, por que são nossos antepassados que estão lá, mas depois do salvamento, essa área volta para comunidade? Não, será entregue para a Cargill”, finalizou.

Fonte>>> O impacto 10/07

http://www.oimpacto.com.br/gerais.htm#Projeto_da_CDP_e_Cargill_revolta_moradores_do_Laguinho_