quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Empresas madeireiras voltam a causar prejuízos ao meio ambiente.

O problema, mais uma vez, é detectado no bairro Vitória Régia e é provocado, segundo os moradores, por duas empresas madeireiras: Madesa e Curuatinga.
A denúncia foi feita pelo presidente da Associação de Moradores do Bairro, Marcos Goulart, que garantiu ter comunicado o caso ao Ministério Público Estadual.  De acordo com a denúncia, no momento o bairro do Ipanema, que fica próximo ao Vitória Régia, é o mais prejudicado. A fumaça provocada pela queima das serragens tem causado sérios problemas de saúde.
As empresas madeireiras com serrarias no bairro Vitória Régia, já foram denunciadas, processadas, sentenciadas, mas continuam causando prejuízos à saúde da população do bairro.
Para o líder Marcos Goulart, até hoje a sentença da juíza na surtiu efeito de proteção à vida dos moradores e o Ministério Público Estadual também não tem força legal para impedir a violação dos direitos dos moradores.
 

STF abre novo inquérito contra Lira Maia

 Ex-prefeito e deputado federal reeleito, Lira Maia (DEM – foto) ganhou ontem (8) um novo inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal).
Nele, o Supremo vai apurar se Maia cometeu infração penal (crime de responsabilidade) quando exerceu por 2 mandatos o cargo de prefeito de Santarém (1997-2004).
Não é o 1ª inquérito aberto contra o líder cipoalense no STF.
Quatro deles resultaram em ação penal, que é o estágio final de um processo aberto contra autoridade que tem foro privilegiado.
Neste inquérito (n° 3036), Lira Maia aparece como único réu.
Ele é consequência de uma petição (pedido para que se comece um processo) protocolada pelo MPF (Ministério Público Federal) em março de 2008.
Ontem, por decisão do ministro Celso de Melo, a petição foi transformada em inquérito. Submetido ao plenário do Supremo, tal inquérito pode virar ação penal (AP).
Caso isso ocorra, Lira Maia ultrapassará o deputado federal Jader Barbalho em números de APs, assumindo o posto de nº 1 entre os que tem mais processos no Pará.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

V Fórum Social Pan-amazônico - Inscrições Abertas

Construindo a Amazônia de todos os povos!


O Comitê Organizador do V Fórum Social Pan-Amazônico – FSPA comunica que estão abertas as inscrições individuais, de grupos/organizações/entidades e para atividades que serão realizadas durante o evento. Além disso, estão disponíveis as fichas para cadastro de imprensa livre e imprensa comercial interessados em fazer a cobertura do Fórum.

As inscrições estão sendo realizadas apenas pela internet, através do site www.forumsocialpanamazonico.org. O interessado em se inscrever deve preencher a ficha de pré-inscrição disponível no site e, após receber a confirmação dos dados e as fichas para preenchimento no email indicado na pré-inscrição, deve preencher a ficha de seu interesse (inscrição individual, de organização, atividades ou cadastro de imprensa) e reenviá-la para a coordenação do evento para que possa então receber o seu boleto, efetuar o pagamento da taxa correspondente e efetivar a sua inscrição.

As taxas de inscrição obedecerão aos seguintes valores:

· Inscrição individual (participante não associado a nenhuma organização de movimento social) – R$ 20,00 (vinte reais);

· Inscrição de Grupos/Organizações/Entidades – R$ 50,00 (cinqüenta reais) com direito a dois delegados que representarão a entidade inscrita. Caso a organização queira trazer uma caravana de associados, pagará R$ 10,00 (dez reais) por cada participante a mais;

· Atividades auto-gestionadas (propostas pelas organizações e sob responsabilidade das mesmas) – R$ 100,00 (cem reais);

· A participação de imprensa livre e comercial é isenta de taxas. O cadastro é realizado somente em caráter organizativo.

As inscrições de indivíduos e grupos interessados em apresentar atividades culturais serão realizadas por um grupo de trabalho específico dentro da organização do V FSPA e devem estar disponíveis em breve.

Mais informações:

www.forumsocialpanamazonico.orgEscritório do Pan: Trav Agripina de Matos, nº 203, Bairro Laguinho/ Fone: (93) 3522-6852

e-mail: contato@forumsocialpanamazonico.org

Secretaria Executiva do FSPA: Valéria Bentes – (93) 9195-3465

Grupo de Trabalho de Metodologia do FSPA: Mel Mendes - (93) 9123-4175

Assessoria de comunicação do FSPA: Val Araújo - (93)9134-8336

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Sem Título...e precisa?

Assombração de Barraco....


Eu já ando injuriado, ô xará
Meu salário defasado,
Meu povo todo esfomeado
E ainda é intimado a votar
Vejo que essa previdência
Não tem competência pra ser social
O trabalhador adoece e morre na fila do hospital
Enquanto uma pá de aspone que dorme e come mamando na teta
E os pc's na mamata sempre fazendo mutreta
Roubando dinheiro do povo e mandando pra suíça na maior careta

Isso é que é covardia que me arrepia e me faz chorar
É fraude por todos os lados e ninguém consegue grampear os
Culpados
É que na realidade a impunidade tá feia demais
E uma pá de cheque-fantasma assustando o planalto central
Assombração de barraco ou ladrão de gravata e não é marginal

Bezerra da Silva

Pacajá, Pará: 13 trabalhadores rurais assassinados, denuncia a CPT

 Nota: Ganância e Cumplicidade matam treze trabalhadores no Pará

A Coordenação Nacional da CPT, chocada com uma chacina de grandes proporções no Assentamento Rio Cururuí, município de Pacajá, PA, chama a atenção da sociedade brasileira para o clima de violência na região e responsabiliza as autoridades por novos massacres que possam ocorrer caso providências efetivas não forem tomadas.

Entre os dias 17 e 19 de setembro, 13 trabalhadores do PA Rio Cururuí, foram assassinados num conflito que vinha sendo anunciado há tempo. A causa geradora desta estúpida violência são os interesses de madeireiras que, para obter lucros cada vez maiores, corrompem funcionários públicos e lideranças de assentamentos semeando a sizânia da ganância e da discórdia entre os assentados da reforma agrária e de outras comunidades.

O asssentamento Rio Cururuí foi criado pelo Incra em terras da União e implantado em 2005. A área, porém, era cobiçada pelas madeireiras. Em maio de 2007, a imprensa noticiou que pistoleiros ligados a madeireiros expulsaram dezenas de famílias da área, destruindo seus bens. As famílias que retornaram viviam dominadas pelo medo de novamente serem agredidas.

As CPTs de Anapu e de Tucuruí, desde 2008, vêm recebendo denúncias de assentados sobre o abandono em que vivem. A isto se acrescentou um novo complicador. Um grupo de 70 famílias começou a ser pressionado pelo Incra e pelos dirigentes do assentamento, ligado à Fetraf (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), a deixarem a área na qual haviam sido colocados pelo Incra ainda em 2004, antes da implantação do assentamento, sob a alegação de ocuparem a área de reserva legal do projeto. A reserva, porém, está sendo explorada por madeireiros, alguns presumivelmente sem a devida autorização de manejo florestal pois, em junho deste ano, o IBAMA e policias da Delegacia de Conflitos Agrários do Pará (DECA) prenderam 1.4 mil metros cúbicos de madeira retirados ilegalmente da área.

As denúncias dos assentados repassadas à Ouvidora Agrária Nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) chegaram ao conhecimento dos que estavam sendo denunciados o que desencadeou o conflito que assumiu as dimensões de uma chacina.

A Coordenação Nacional da CPT afirma que a política de manejo florestal que incide muitas vezes sobre áreas de assentamentos, ou de comunidades tradicionais, visa única e exclusivamente o crescimento econômico que se concentra nas grandes madeireiras. Estas utilizam de todos os instrumentos possíveis, legais e ilegais, para explorar a rica diversidade florestal de nosso país. Corromper funcionários públicos e lideranças das comunidades faz parte de sua estratégia. As comunidades camponesas e os assentados, na maior parte das vezes, são totalmente excluídos dos “benefícios” deste manejo.

O que acontece hoje na Amazônia é a repetição do que ocorreu em todo o território nacional desde a época do Brasil Colônia. A natureza é vista como mera fonte de riquezas e é sistematicamente depredada para gerar divisas. As comunidades são espoliadas dos poucos bens que possam ter, quando não fisicamente eliminadas.

A CPT vê ainda como uma outra fonte potencial de conflitos e violência a aprovação da MP 458, transformada na lei 11.952/09 que regulariza a grilagem de terras na Amazônia. Surgem, em diversos pontos, notícias de conflitos de interesses entre os que buscam a regularização e as famílias as comunidades que tradicionalmente ocupam aquelas terras.

É hora de colocar um ponto final em tanta violência. Titular as terras e territórios das comunidades tradicionais e realizar uma Reforma Agrária ampla com a participação das comunidades e trabalhadores é condição sine qua non para que haja paz no campo


Goiânia, 30 de setembro de 2010
Coordenação Nacional

Maiores informações:
CPT Tucurui – (94) 3787-2588
CPT Nacional - Setor de Comunicação – (62) 4008-6412

Lindo Papel!

 
Desenvolvendo um Plano de Manejo numa gigantesca área de 16mil hectares na Gleba Nova Olinda, onde a situação fundiária é indefinida e o quadro de conflitos é caótico, a Rondobel Madeira Ltda. parece que recebeu o selo de “sustentabilidade” FSC!

Será que foi por isso que o Greenpeace ficou do lado das madeireiras quando incendiaram as balsas? 
 
Fonte: Blog Língua Ferina
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Celpa inclui R$ 2 a mais na conta de luz

A Celpa, concessionária de distribuição de energia elétrica no Pará, resolveu fazer filantropia com dinheiro dos outros.
A empresa anda incluindo na conta de luz mensal do usuário R$ 2 – a título de uma suposta contribuição para a Unicef.
Há quem não reclame, dado o irrisório valor. Neste caso, a armação colou.
Porém, há aqueles que se sentem lesado, pelo fato de não dado qualquer autorização para tal pilantropia, digo, filantropia.
Aí, neste caso, a Celpa oferece desculpas, quando o faz, e encaminha o usuário para os  penosos e tortuosos caminhos da burocracia e dos famigerados 0800
 Fonte: Blog do Jeso
Link: Clik Aqui

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NÃO É TÃO SUPREMO COMO DIZ

 EDITORIAL DE 24.09.2010
Hoje, poucas horas depois de os 10 ministros do assim chamado Supremo Tribunal Federal empatar em 5x5 e não decidir pela exclusão dos candidatos  Ficha Suja das eleições de outubro próximo, se pode cantar parte da música – Perfeição, dos grupo Legião Urbana que canta – “ Vamos celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação, vamos celebrar as mentiras e os seqüestros e toda  a hipocrisia...” A música segue neste ritmo e cai como luva no momento atual  em que os ministros do STF utilizam a bacia d`água de Pilatos revivida, como dez pro cônsules brasileiros a serviço do império da imoralidade política.
Eles, nesta madrugada  lavaram, as mãos e condenaram o povo brasileiro ao ridículo. Um deles, que na véspera encheu-se de dúvidas quanto à aplicação da lei  do Ficha Limpa nas próximas eleições., surpreendentemente 24 horas depois, o homem ficou iluminado e gastou duas horas de argumentos para votar contra a aplicação da lei, permitindo assim que os ficha suja possam continuar candidatos  e até serem eleitos, caso ingênuos, oportunistas e corruptos eleitores votem neles.
Cinco ministros garantiram que a lei da Ficha Limpa não alterou o processo eleitoral próximo e, portanto não feriu a Constituição. Segundo eles não há direito adquirido a ser candidato. Porém, outros cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, que não é tão supremo como dizem, afirmaram que a lei da Ficha Limpa só valerá dentro de um ano, depois de aprovada. Portanto, negaram sua aplicação nestas próximas  eleições,  deixando livres 242 corruptos já condenados em duas instâncias judiciais, inclusive o Superior Tribunal Eleitoral.
Ao final da sessão, pelas primeiras horas de hoje a triste novela terminou empatada, para alegria dos candidatos  ficha suja e indignação de toda a nação brasileira esclarecida e ética. Como o presidente do STF recusou cometer mais uma imoralidade usando  o voto de minerva, a sessão foi suspensa sem solução. E assim, a decisão sobre os  ficha suja fica para não se sabe quando no futuro longínquo.
Os atuais ficha suja estarão tranqüilos aguardando os votos dos ingênuos e dos eleitores esclarecidos  mas corruptos também, que trocam voto por favores.  Se estes condenados escaparam da degola, imagine os ficha suja que ainda não foram condenados  mas são conhecidos por seu passado. Daí que se pode afirmar sem erro que o Supremo Tribunal federal, última instância judicial do país não tão supremo assim. Além do mais lançam ao brejo a democracia, ainda mais que um deles chegou a afirmar que o s ministros não podem ficar reféns da opinião pública em detrimento da lei. Que escárnio, como se a lei criada no Congresso nacional fosse apenas opinião pública.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Político corrupto é como erva daninha.

Editorial 22.09.2010

Há o dependente de álcool, chamado de alcoólatra; há o dependente de drogas, chamado de viciado e há o incompetente político que compra votos para ser eleito, chamado de político corrupto. O alcoólatra tem cura no AA; o viciado em drogas, sua cura está na fazenda Esperança; já o político corrupto não tem cura. Para o incompetente, a saída é a cadeia e não se votar mais nele, nunca mais.

O político corrupto é de fato uma erva daninha. A lei anticorrupção está em vigor, mas não assusta o candidato oportunista e politicamente incompetente. Ele é um dependente sem cura. Tanto é que uma pesquisa realizada há pouco tempo, revela que quase a metade dos eleitores conhece casos de compra de votos por candidatos a cargo público.

A justiça promete intensificar a fiscalização das campanhas políticas nos próximos dias, a ordem dos advogados promete agilizar os processos das denúncias que chegarem e os comitês anticorrupção prometem ir atrás das denúncias feitas por qualquer cidadão honesto que testemunhar uma compra de votos.

Mesmo assim, ainda se ouve falar que, numa certa comunidade daqui da região, um candidato prometeu doar um motor de luz, em troca de a comunidade entregar uma lista com 100 votos para ele, com os números de títulos. Ouve-se também que uma turma de concluintes de universidade escolheu um certo candidato para patrono da turma, incluindo o patrocínio da festa.

O grande obstáculo para se exterminar essa erva daninha, é que muitos eleitores são corruptos também, pois quem aceita tais favores em troca do voto é ladrão também e deve ser denunciado à justiça eleitoral. Enquanto não se eliminar essa praga da corrupção, a política brasileira será uma droga sem cura.

Daí a importância da lei do Ficha Limpa, mas que seja implementada inclusive pela justiça de primeira, de segunda e de última instância, a hoje mais suspeita de desvio da vontade do povo.
 
Edilberto Sena.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tapajós. ”Inundados 9.500 hectares de floresta do Parque Nacional da Amazônia, além de terras indígenas’

Sob o título “Energia, a riqueza que emerge do Tapajós”, o jornal Diário do Pará, publicou uma reportagem sobre o potencial hídrico do Rio Tapajós a ser explorado pelos projetos de construção de várias usinas hidrelétricas.

A reportagem foi reproduzida pelo sítio Amazonia.org.br, 10-09-2010 e pelas “Notícias do Dia” do IHU, 11-09-2010, com um amplo adendo “Para ler mais”.

Edilberto Sena, padre, membro da Frente em Defesa da Amazônia, de Santarém, em nome da articulação Tapajós Vivo, contesta a reportagem em artigo que publicamos a seguir.


Eis o artigo.

1. “Itaituba que deverá assumir também, dentro dez a quinze anos, a condição de um dos maiores produtores nacionais de energia elétrica. Isso, sem perder as características que foi adquirindo ao longo de décadas – uma cidade de vigoroso crescimento econômico e também demográfico, comércio dinâmico e reconhecida vocação para a atividade mineral, com destaque para a exploração aurífera. “

Só quem não conhece a cidade pode afirmar isso, ou sendo plantador de afirmações ufanistas com segundas intenções, o mais provável. Itaituba hoje vive o refluxo do ciclo dos garimpos: 100.000 habitantes, imensa periferia desordenada, maioria ex garimpeiros, um comércio dependente de Santarém e do sul do país, importando hortaliças, frutas e outros produtos de fora. Exploração de ouro continua, mas agora como admite o artigo, com grandes empresas forasteiras explorando ouro com tecnologia moderna e levando para fora os lucros. O que sustenta hoje a economia da cidade é a exploração desordenada de madeira (até o atual prefeito é grande madeireiro), uma criação de gado incipiente, herança de alguns donos de garimpos que empregaram seus lucros em fazendas e uma fábrica de cimento, que explora matéria prima local e vende cimento muito mais caro do que 15 anos atrás, quando cimento era importado. Quanto a maior produtor de energia elétrica será também o maior desastre econômico, social e ambiental da Amazônia. Para se ter uma idéia, caso as cinco usinas forem construídas serão 1.950 kms quadrados de inundações numa só bacia hidrográfica, o Tapajós; serão milhares de hectares de florestas de unidades de conservação destruídas, inclusive no Parque Nacional da Amazônia e no Parque Nacional do Jamanxin.

2. “Porém, quando está em discussão o futuro do município, as lideranças políticas, os dirigentes empresariais e os principais formadores de opinião de Itaituba têm como preocupação primeira, hoje, o debate sobre o papel que lhe caberá no mapa dos grandes produtores brasileiros de energia. E nem poderia ser diferente. Afinal, quando – e se – o complexo hidrelétrico do Tapajós estiver operando à plena carga, o Pará estará assumindo a liderança nacional do setor”.

As lideranças políticas de que fala o artigo são vereadores, prefeitos de plantão e outros da região, sem mandato. Não menciona que todos os atuais vereadores já foram seduzidos pela Eletronorte, com passeio turístico a Itaipu, tudo pago pela empresa para admirarem o progresso de Itaipu e sonharem com o progresso de Itaituba. Os oportunistas vereadores até hoje se omitem às críticas, ou aplaudem o perverso projeto das cinco hidrelétricas no Tapajós. Nos vários encontros que realizamos na cidade pepita (assim é conhecida lá) tivemos poucos, ou nenhum político participando. Observe que no mais recente encontro das 4 bacias ( 25 a 27 de agosto 2010) estivemos 540 participantes e nenhum político local compareceu

Portanto, o que se refere o artigo sobre “lideranças…” são oportunistas que sonham usufruir as sobras dos grandes empreendimentos do governo federal. Recusam analisar as conseqüências negativas para as famílias ribeirinhas e indígenas da região. Não pensam no inchaço que ocorrerá na cidade com a avalanche de migrantes que virão em busca de trabalho, sem chance. E ao final, toda a energia, se um dia for gerada, não será para Itaituba, nem o Pará, mas sim para grandes empresas mineradoras como ALCOA, MRN, Vale, Serabi, Rio Tinto e outras que estão de olho no eldorado amazônico.

3. “A maior das cinco usinas projetadas pela Eletrobrás para construção no rio Tapajós será a de São Luiz, nome de um vilarejo localizado próximo às cachoeiras do mesmo nome, cerca de 50 km acima de Itaituba. Uma falha geológica faz com que as águas do rio Tapajós experimentem naquele ponto um desnível acentuado. Ao longo de 17 km, elas descem furiosamente, espremendo-se em canais estreitos ou chocando-se violentamente contra as formações rochosas. Pelo plano inicial, essa usina seria construída a montante das cachoeiras, conduzindo a vazão do rio por um canal artificial que seria aberto dentro do Parque Nacional da Amazônia até a casa de força. Com isso, seria possível preservar as cachoeiras, evitando-se que elas fossem inundadas pelo reservatório”.

A descrição do projeto serve bem para quem vive em Porto Alegre, em Tókio, ou em Paris, tudo maravilha, dentro dos conformes dos cuidados com o meio ambiente. Maravilha! Mas para quem vive aqui na região e conhece a vida na floresta e no rio sabe que não é só uma questão de construir a montante ou jusante de um rio para salvar cachoeiras. É sim uma questão de pensar nas vidas dos ribeirinhos, indígenas, peixes de piracema, florestas do Parque Nacional da Amazônia. A preocupação da Eletronorte é gerar energia “limpa”, como eles dizem, ignorando que é suja a inundação de 732 kms quadrados, que será provocada com o primeiro lago gerado pela barragem de 36 metros de altura que se construída lá em São Luiz do Tapajós. Serão inundados 9.500 hectares de floresta do Parque Nacional da Amazônia, além de terras indígenas, florestas nacionais criadas pelo próprio atual governo.

4. “Na construção das cinco hidrelétricas, a Eletrobrás pretende utilizar o conceito de usinas-plataformas. À semelhança das plataformas submarinas de petróleo, elas vão dispensar a logística convencional de apoio, como a formação de grandes canteiros de obras e vilas residenciais. Na fase de construção, em vez de permitir a criação de cidades ao redor das usinas, o projeto da Eletrobrás se dispõe a criar reservas ambientais o que, em princípio, descartaria a possibilidade de ocupação humana.

Essa é uma das mentiras da empresa estatal que só mesmo quem não conhece pode aceitar. A empresa afirma que as usinas no Tapajós, se forem iniciadas atrairão cerca de 75.000 trabalhadores, porém, só absorverão 25.000 deles diretamente, o que significa que 50.000 migrantes estarão nas periferias de Itaituba procurando trabalho, causando problemas sociais, prostituição, assaltos,etc. Pensando nos 25.000 supostamente empregados nas obras, que seguirão moderno modelo de usinas construídas em forma de plataforma, como as da Petrobrás em alto mar. Ora, a maior até hoje construída pela Petrobrás cabe 450 pessoas trabalhando. Imaginando por outras experiências, que a usina de Jatobá a segunda na lista no Tapajós absorva 10.000 trabalhadores. Dividindo em 4 turnos, daria 2.500 trabalhadores em cada turno, nenhum morando na vizinhança da obra. Como seriam transportadas essas turmas para fora e para dentro da obra, a cada turno? De helicóptero, como sugere a Eletronorte? De navio? De avião? De que tamanho seria qualquer um desses meios de transportes para subir e descer o rio encachoeirado?

5. Com tais aberrações escritas num só artigo, só se pode imaginar que esta matéria tenha sido escrita por algum funcionário de marketing da Eletronorte e plantado num jornal não muito científico, como é o Diário do Pará, de Belém. Surpreende um site como o Amazônia.org.br se dê ao trabalho de reproduzir. De Itaituba o que sabemos é que é uma sociedade sofrida com 100.000 habitantes, dos quais ao menos 2/3 vivem nas periferias, desempregados ou semi empregados, com alto índice de prostituição, drogas, menores de rua e sem consciência crítica. Seus comerciantes e políticos, em sua maioria oportunistas, sonham em usufruir dos recursos e favores que nestes casos aparecem conjunturalmente, como foi no tempo dos garimpos do Tapajós. A Eletronorte, como no rio Madeira, Tucuruí e Estreito, vai enfiando goela abaixo as obras, iludindo as populações despolitizadas a aceitarem as obras como se fossem desenvolvimento.

Mas já existe aqui na região um crescente número de organizações populares que não aceitarão passivas as investidas dos que querem destruir os rios, as populações e as Unidades de Conservação para construir usinas poluentes e destruidoras da vida na região. Já existe uma Aliança Tapajós Vivo, que articula resistência firme, junto com os índios Munduruku contra os engodos da Eletronorte. O desastre atual no rio Madeira é um alerta para nós do Tapajós, por isso, estamos preparando a resistência.

Indígenas, quilombolas e meio ambiente: Desce do palanque, Presidente!

Artigo de Iara Tatiana Bonin*

Assistindo ao horário eleitoral gratuito, ou as mensagens publicitárias dos diferentes candidatos que concorrem hoje ao cargo de presidente, observamos rapidamente que o cenário político é cada vez mais semelhante a um programa de variedades, com imagens elaboradas para o deleite do espectador e uma evidente espetacularização do cotidiano. Uma linha tênue separa o mundo do entretenimento do mundo das definições políticas na atualidade. Os marqueteiros que hoje coordenam as campanhas acreditam que os eleitores não desejam ver cenas de uma realidade perturbadora e não demonstram interesse por causas coletivas de longo alcance, pois estas demandam certo esforço e investimento.

Assim, um Brasil grandioso nos é apresentado cotidianamente, em que não parece haver pobreza, nem desemprego, nem injustiças, e onde aquela profunda desigualdade social que vemos no dia a dia parece ter, num passe de mágica, desaparecido. Exibe-se diante da tela um mundo risonho, um presente passado a limpo e um futuro deslumbrante. Para o Brasil seguir mudando, para mostrar-se ao mundo, para cumprir sua vocação de grande potência etc., estes e outros argumentos compõem os roteiros da propaganda eleitoral, nos quais o presidente tem dado o “ar de sua graça” cotidianamente, ora como admirador, ora como interlocutor, ora como conselheiro de sua candidata.

Não fossem as cenas tão constantes de pobreza que vemos, essas tantas vidas desperdiçadas, sem chance de estabelecer-se no mundo do trabalho, sem perspectivas que escapem ao assistencialismo, talvez acreditássemos que o Brasil se tornou um verdadeiro paraíso.

Deixando de lado o horário eleitoral gratuito e pensando nos rumos do governo, de modo especial nos meses finais deste mandato presidencial, vemos que as coisas também parecem ter assumido um tom de espetáculo: tudo é grandioso, é exemplar, é fabuloso, como nunca se viu antes, na história desse país.

Os rumos e os rumores…

Hoje, através da internet, é possível acompanhar as manifestações públicas do presidente sem sair de casa – tudo se torna visível nesse mega-cenário, e Lula parece se empenhar, mais do que nunca, para realizar obras espetaculares, de imenso impacto e de grande visibilidade. Um bom exemplo é o complexo de Belo Monte, esse grande monstro que durante 30 anos foi foco de grandes embates. A aprovação desta obra é narrada pelo presidente quase como uma “saga”, na qual ele se envolveu diretamente e, com o desfecho, parece se sentir vitorioso.

É triste ver como Lula reinventa sua trajetória de militância do passado para justificar suas escolhas do presente. Ele assim o fez, por exemplo, no ato em prol de Belo Monte, realizado em Altamira/PA em junho deste ano. Na ocasião, o presidente afirmou que, quando jovem, era desinformado, por isso protestava contra Itaipu, um dos grandes projetos edificados na ditadura. Falou também de certas “fantasias” nutridas em seus velhos (e esquecidos) tempos de militância, e generalizou esses “delírios”, aplicando-os a todos aqueles que, no presente, protestam contra a construção de Belo Monte ou de outras tantas obras que agridem violentamente o meio ambiente.

E na cerimônia de assinatura do contrato de concessão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em agosto deste ano, Lula afirmou de modo enfático: “Vocês não imaginam quantos discursos eu fiz contra Belo Monte, sem nem saber o que era. Me diziam “fala”, eu falava”. Com estes termos – que denotam ingenuidade e manipulação – Lula define a si mesmo, no passado e aos que hoje protestam contra Belo Monte. Muitos militantes deste mesmo partido, que hoje se alinham com a (neo)filosofia do Presidente, provavelmente também olham para trás e avaliam que suas práticas políticas eram apenas arroubos juvenis, ações impensadas de pessoas desinformadas, desavisadas e manipuláveis.

Conforme afirmou Lula, ele era um desses jovens que se ocupavam de “gritar contra” ao invés de utilizar sua energia produtiva para pensar em coisas importantes. O militante (aquele que acredita em algo, e por isso protesta, veste a camisa, sacode bandeiras) é apresentado aqui como um ser incompleto, ignorante, a quem falta sabedoria, discernimento, informação.

Discursando ainda, o Presidente da República se empolga em mostrar os supostos benefícios da obra e deixa ver uma espécie de aflição, uma ânsia em ver a grandiosidade de sua obra antes do fim do seu mandato. Reclamando da morosidade de certos procedimentos legais, sugere que se faça um inventário das “coisas hilariantes” que acontecem quando se propõe uma obra de infraestrutura.

E ele exemplifica: “às vezes aparece um osso, as pessoas pensam que encontraram um sítio arqueológico, e passam-se anos, ali, parada a obra, e depois foi uma coisa que não era de nenhuma importância. Há pessoas que acham uma pedra e acham que parece um machadinho indígena, e para a obra oito meses, ali, para tentar ver, depois descobre que não é nada. E ninguém arca com o prejuízo…” Assim, ele deixa transparecer, no tom de seus discursos, que o meio ambiente e a legislação que o protege são empecilhos ou penduricalhos, como ele mesmo gosta de dizer. Pode-se dizer, ainda, que uma lógica ambiental coerente e alicerçada em convicções políticas não combina com a ironia: “eu quero fazer um monumento à perereca – uma pererequinha que parou a obra durante seis meses” quando Lula fez referência à duplicação da BR 101.

Uma omissão que se traduz em números

Longe dos holofotes, e a despeito dessa inigualável onda de popularidade presidencial, ainda podemos verificam as opções políticas feitas pelo governo, observando, por exemplo, a execução do Orçamento Geral da União. Em números absolutos, o governo gastou, até o início de setembro, pouco mais de R$ 300 milhões, dos mais de R$ 780 milhões aprovados para ações e programas voltados para os povos indígenas em 2010. Isso corresponde a apenas 35% do total de recursos disponíveis. Em algumas ações, a execução orçamentária ainda é zero (é o caso da rubrica “recuperação da biodiversidade”); outras não chegam a 10% de execução (tal como a de “demarcação e regularização das terras indígenas”, em que se gastou 8,41% e “estruturação de unidades de saúde” para a qual foi utilizado apenas 3%). Enfim, esses números mostram que a questão indígena está muito longe de ser considerada relevante, uma vez que os recursos ali alocados não têm sido efetivamente empregados para assegurar os direitos destes povos. E o pior é que as garantias constitucionais parecem valer muito pouco quando esbarram em preferências e em interesses econômicos, muito mais valorizados nos tempos em que vivemos.

E na onda cor-de-rosa da publicidade, que diz que “a propaganda é a alma do negócio”, parece ter embarcado também a Fundação Nacional do Índio: a atual direção acaba de assinar um contrato com a A3 Brasil Eventos, para a realização de 12 seminários em diferentes regiões do Brasil, destinados a discutir o decreto de reestruturação da Funai. E lá se vão R$ 16,9 milhões (Fonte: DOU 163, de 25/08/2010) – verba pública superior àquela prevista para a rubrica “Fomento e valorização dos processos educativos dos povos indígenas”; ou para a “Promoção do etno-desenvolv imento das comunidades indígenas”, para citar apenas dois exemplos. Valor muito superior ao que foi, até agora, investido em demarcação e garantia das terras indígenas.

De concreto, nestes tempos, o que temos é a redução de conquistas já estabelecidas, com a suspensão de portarias de demarcação, tal como ocorreu com as terras Tarumã, Morro Alto, Pirai e Pindoty, dos Guarani Mbyá, todas localizadas no litoral norte catarinense. Não bastasse a pressão que empresários locais exercem sobre a Funai e o Ministério da Justiça, uma vez que essas terras são cobiçadas para a especulação imobiliária, há ainda esse discurso tantas vezes reiterado pelo Presidente de que os indígenas atrapalham, são excessivos, dão trabalho.

Caso o Presidente da República resolva escapar aos lampejos reluzentes dos holofotes e descer um pouquinho do palanque, poderá verificar in loco a situação insustentável em que vivem inúmeras comunidades indígenas deste país, aquelas que, sem a demarcação das terras, se mantém à beira das rodovias, em acampamentos provisórios e em condições degradantes, e muitas vezes essa situação se prolonga por décadas. Isso ocorre, em especial, nos estados de Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul.

Poderá também verificar que existem centenas de famílias indígenas vivendo em situação de miséria e abandono nas periferias de cidades; outras denunciando veementemente a falta de assistência em saúde e educação, a insegurança, a impossibilidade de dispor de suas terras, que continuam invadidas mesmo depois de homologadas, como se verifica hoje no Maranhão. Quem sabe, visitando alguns lugares menos deslumbrantes e escutando essas tristes histórias, o Presidente da República possa, enfim, seguir sua própria receita: ocupando-se de coisas mais importantes ele poderia utilizar as energias produtivas de seu governo para, pelo menos, executar o orçamento para a questão indígena, a questão quilombola, a questão ambiental. Isso sim, faria diferença!
 
*Iara Tatiana Bonin é Doutora em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
 
Fonte: Eco Debate
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Placas de candidatos invadem canteiros de avenidas de Santarém

Nos últimos dias é frequente andar pelas ruas de Santarém e ver cavaletes com placas de candidatos espalhadas pelos canteiros das principais avenidas de Santarém. As maiores aberrações são vistas ao longo das Avenidas Mendonça, Cuiabá, desde o porto de Santarém, e também na Rodovia Fernando Guilhon. Mesmo indo contra a lei eleitoral e ao Código de Postura do Município a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social - Semdes nada fez para impedir que os canteiros fossem transformados em “quintal particular”, para candidatos em busca de votos.

Quem passa pela Avenida Cuiabá, desde a Companhia Docas do Pará até antes da entrada do viaduto, percebe que os canteiros serviram para abrigar publicidade de candidatos de diversos partidos. O absurdo chega ao extremo de atrapalhar o percurso de pedestres, ao tentar atravessar para o outro lado. Sem falar na dificuldade dos motoristas ao fazer o contorno, já que as placas confundem-se com algum tipo de sinalização e causa transtornos para quem precisa atravessar entre os canteiros ou fazer a conversão.

“Isso aqui é um absurdo. Esse monte de placas, às vezes, até me confunde. Elas me atrapalham quando venho aqui da Silvério Sirotheau e preciso dobrar para a Cuiabá. É complicado, pois há placas que ficam bem na quina e tapam a visão. Aí é preciso ficar atento, porque como nós não estamos vendo, os carros passam em alta velocidade”, reclama o motorista Genésio Bastos, 57 anos.

Além de dificultar o caminho de motoristas e pedestres, os cavaletes aumentam a poluição visual. Elas já tomaram conta do canteiro da Rodovia Fernando Guilhon, no sentido Alter do Chão e aeroporto. O espaço, desde a inauguração, tornou-se um dos principais pontos turísticos da cidade, principalmente à noite. A situação também se repete ao longo da Avenida Mendonça Furtado, no trecho compreendido entre a Turiano Meira até a Silva Jardim. A tomada dos canteiros revoltou os moradores.

“Já acionamos a prefeitura, mas ela nada fez. É uma situação complicada, porque essas pessoas fizeram algo que é público um bem particular. Pelo jeito vamos ter que esperar até o fim das eleições para que essas coisas sejam retiradas”, disse Lucinda Vaz, 68 anos, moradora da Avenida Mendonça Furtado.

A Lei

A legislação eleitoral é bastante clara no que diz respeito a propagada política em locais públicos. Estão proibidos a colocação de faixas, cartazes ou cavaletes em áreas onde pode ser confundido com as placas de sinalização, especialmente as de trânsito, acima das edificações, nas caixas d’águas ou acima dos pavimentos superiores; no solo, com altura superior a 12 (doze) metros, em canteiros centrais ou na forma de cavaletes, em área pública. Esses locais citados são os mais comuns em Santarém.

O Chefe da 20ª Zona Eleitoral, Márcio Mendonça, alega que este tipo de propaganda – que utiliza cavaletes em canteiros de avenidas – não poder ser classificada como abusiva. Segundo ele, a propaganda poderia ser considerada irregular caso os cavaletes fossem fixos, colocados em uma área pública. Márcio Mendonça explica que esse tipo de propaganda móvel tem respaldo da Justiça Eleitoral, por causa da delimitação de o que é jardim e o que canteiro.

As pessoas que se sentirem prejudicadas por conta da propaganda eleitoral ou evidenciarem algum tipo de irregularidade devem denunciar os fatos ao Cartório Eleitoral através do telefone 3523-2989. O Cartório fica localizado na Avenida Mendonça Furtado e fica aberto das 8h às 14h.

Fonte: Portal na Hora
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Maia assume topo nacional dos processados.

Ex-prefeito de Santarém e deputado federal, Lira Maia  assumiu o topo da lista dos parlamentares com mais processos (ação penal) no STF (Supremo Tribunal Federal).

Candidato à reeleição, Maia tem 5 APs contra ele na Suprema Corte.

Segundo reportagem levado ao ar hoe (13) pelo site Congresso em Foco, um outro paraense ocupa também a 1ª colocação do ranking nacional, Jader Barbalho (PMDB), deputado federal.

Jackson Barreto, do PTB de Sergipe, também faz parte deste time.

- Emprego irregular de verba pública, peculato, crime contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica, formação de quadrilha, estelionato, crime de lavagem e contra a administração em geral são as denúncias que recaem sobre Jader. Crimes de responsabilidade e contra a Lei de Licitações são as acusações contra Lira Maia, candidato à reeleição. Jackson Barreto, candidato a vice-governador em Sergipe, responde por peculato e crime contra a administração em geral – esclarece o site.
 
Fonte: Blog do Jeso
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Procissão dos Mastros da Festa do Sairé 2010

por Florêncio Vaz

O Sairé proporciona mesmo cenas poéticas e transcendentais, como a foto das canoas em filas cortando o rio, e como os rostos dos idosos(as) devotos(as) diante da imagem do Divino Espírito Santo durante a ladainha na noite de 5ª feira.

Pena que nessas ocasiões pouca gente está ali para ver. A grande maioria chega mais tarde para as apresentações dos artistas de fora da região e dos botos. E afirma que foi ao “Sairé”. Na verdade, essas pessoas foram a um outro Sairé que acontece simultaneamente ao antigo e verdadeiro Sairé. Não que os botos sejam uma festa falsa ou ilegítima. Os botos estão aí, têm o seu lugar, e isso é indiscutível. Estou dizendo simplesmente que o Festival dos Botos não é o Sairé. Até a prefeita Maria do Carmo falou isso em um jornal local nesta sexta-feira. O assunto é meio chato, mas eu vou falar.

O Sairé de Alter do Chão, a continuidade histórico-cultural das antigas práticas locais, ainda existe, mas está seriamente ameaçado. Na 5ª feira à noite, na ladainha, só vi qase senhores(as) bem velhinhos. Seu Servito (que canta folias) e mais uns dois precisavam sentar de vez em quando para descansar. Dona Maria Justa (a famosa Saraipora que carrega o Sairé) falou que ficou doente faz poucos dias, e estava ali com muito esforço e porque Deus ouviu suas preces. O antigo juiz da festa, Sr. Sardinha, faleceu ano passado.

E os jovens? Havia alguns adolescentes ali. As moças que seguravam a fita da Saraipora estavam deslocados e com o olhar distante, como se a sua praia fosse outra. Perguntei pela outra “moça das fitas” que sempre aparecia ao lado de Dona Maria Justa nos anos anteriores, e disseram-me que ela se tornou evangélica, e por isso deixou o posto.

Alguns dos rapazes que estavam como mordomos ou foliões riam e coxixavam entre si, como se a ladainha que acontecia lhes tocasse muito pouco. Estavam talvez pensando no outro Sairé, o dos botos. E as outras pessoas de Alter do Chão? Estavam trabalhando (como cozinheiras, garçons, artesãos etc.) em função do Sairé-espetáculo, aquele que é voltado principalmente para os visitantes, e onde cabe aos nativos primeiramente trabalhar ou se “apresentar”. Relaxar mesmo, só na Varriação, na 2ª feira, quando os visitantes já deixaram Alter.

Assim que esse velhinhos morrerem, o Sairé de Alter do Chão… se não morrer também, continuará apenas como uma caricatura, uma encenação mal feita apenas para turistas verem (o que de fato, já acontece em parte). E os botos continuarão, como parte de uma festa que só no nome será “Sairé”.

Assim será, a menos que se tome uma atitude agora. Uma das saídas para garantir a sobrevivência do Sairé de Alter do Chão seria a separação entre botos e Sairé (isso já foi falado aqui no blog), já a partir de 2011. Boto em setembro, e Sairé poderia voltar para a data antiga. Que decidam os defensores do Sairé, não os burocatas, políticos ou os empresários.

Na prática, as duas festas nunca de juntaram e continuam separadas, e apenas por força da circunstância acontecem na mesma época e lugar. Cada uma faz parte de uma lógica distinta, e as pessoas que valorizam uma ou outra sabem disso. Os mais idosos que cantam a ladainha em latim e beijam as fitas amarradas na imagem do Divino Espírito Santo, enquanto escutam o baque das caixas (tambores), o fazem porque isso tem um profundo sentido na sua cosmovisão e no seu modo de vida, herdados na sua infância ainda nas décadas de 1940-50: devoção aos santos, reciprocidade e gratuidade (comer e beber juntos, por exemplo), festa como o encontro de pessoas que se re-conhecem próximas, festa como síntese do lúdico e do devocional (essa dicotomia “religioso X profano” vem da cabeça dos padres, que os tapuios e o povo nunca engoliram) etc. E esse padrão festas de santo não é uma coisa do passado e nem de pequenas vilas. Basta ver Sant’Ana, em Óbidos e Arapixuna, São Bendito, em Gurupá e Nazaré, em Belém.

A outra lógica, onde os botos estão, é a festa-espetáculo grandiosa, que reúne a massa, do gringo ao índio, para assistir apresentações folclóricas ou de bandas e artistas-celebridades e para consumir, e consumir bastante. Aí, é só a bagaceira mesmo. Este é um padrão que chegou e já ficou em todo o Norte (Bois, Cirandas, Tribos, Botos etc.), cada festival divulgando que é “o maior” da Amazônia. Isso é um fato. Nesse padrão, o papel que cabe aos nativos é produzir (artesanato, comida, danças…), servir e apresentar aos outros: trabalhar é preciso, divertir-se… só depois da festa.

O Sairé que os moradores de Alter mantiveram até hoje foi uma festa onde o objetivo maior era a diversão, beberagem e comilança, uma brincadeira. Mas tudo isso era para eles mesmos. Não era para “apresentar” a ninguém. E ainda hoje, os velhinhos-heróis-da-resistência e seus simpatizantes seguem fiéis a esse tipo de festa.

Os botos e seus donos já se serviram do Sairé para ganhar espaço. Agora, poderiam deixá-lo em paz. Os botos não precisam mais do Sairé, nem do nome sequer. Que continuem como Festival dos Botos, e ponto. O verdadeiro Sairé não precisa dos botos. Quem disse que o Sairé vai morrer se for separado dos botos? Essa cultura já enfrentou conjunturas bem mais hostis, e se manteve de pé. Morte certa será continuar sufocada pelos botos.
 
Fonte: Blog do Jeso
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